POV: HAPHEL
— Você percebeu, não foi? — suspirei, me sentando devagar, ainda tentando processar tudo. — Minhas feridas sumiram, cicatrizaram como se nunca tivessem existido. Eu me sinto mais forte, como se tivesse energia de sobra.
Respirei fundo, passando a língua pelos lábios antes de continuar.
— E não é só isso... sinto cheiros com tanta nitidez que chega a me embriagar, e mais do que isso... sinto cada nota de desejo ao meu redor, mesmo a quilômetros de distância. — engoli em seco, desviando o olhar. — Às vezes, até escuto pensamentos como se estivessem aqui, ao meu lado.
Nervosa, enrolei uma mecha do meu cabelo no dedo, tentando disfarçar o quanto aquilo me deixava vulnerável.
— Estou vendo uma silhueta... — murmurei, hesitante, tentando colocar em palavras o que parecia impossível. — Uma mulher muito linda... uma beleza tão única e sedutora que parece comigo... e, ao mesmo tempo, é como se fosse algo totalmente diferente. — virei-me para ele, buscando algum sinal de que não estava perdendo a cabeça. — Eu sei que não faz sentido, Aiden. Deve ser loucura, devo estar enlouquecendo e...
Ele não me deixou terminar. Segurou meu rosto entre as mãos e me beijou de repente, profundo o bastante para calar qualquer palavra que estivesse prestes a sair. Quando se afastou, fez isso devagar, como se quisesse me obrigar a prender o fôlego só para ele.
— Você fala demais quando está nervosa. — disse, acariciando minha bochecha com o dorso do dedo, os olhos dourados presos nos meus, firmes, intensos. Respirou fundo, e sua voz saiu baixa, mas carregada de certeza. — Haphel, você é metade Alfa... e metade Succubus.
— Meia o quê? — perguntei, franzindo o cenho, confusa.
Aiden sorriu de canto, aquele sorriso perigoso que sempre me deixava sem chão.
— Succubus, raposinha. — explicou com calma, os olhos dourados brilhando enquanto inclinava a cabeça de lado. — Um tipo de demônio capaz de seduzir homens, de invadir seus sonhos e se alimentar dos desejos deles... absorvendo sua energia vital.
— Você tá falando sério? — soltei, arregalando os olhos, tentando rir mas sentindo meu estômago revirar.
Ele não riu. Levantou a mão até meu rosto, segurando meu queixo com firmeza, e passou o dedo pelo contorno dos meus lábios devagar, me obrigando a sentir o peso de cada palavra.
— É por isso que você se sentia tão quente, faminta... e depois revigorada. — disse baixo, a voz grave vibrando na minha pele. — Você não imaginava, mas já estava despertando essa parte de você.
— Então... toda aquela sede, todo aquele... — minha voz falhou, e desviei o olhar por vergonha.
— Desejo. — completou, rosnando suave, aproximando a boca da minha. — Você é meio Alfa, meio Succubus, Haphel. Uma combinação perigosa. — os olhos dele arderam sobre mim, intensos. — E só minha.
— Espera — puxei a mão dele, segurei o pulso com firmeza; vi o cenho dele franzir. — Você está mesmo dizendo que metade de mim é uma demônia do prazer e que...
A frase morreu na minha boca. Me levantei de repente, um choque correndo pela espinha; afastei-me alguns passos, a respiração curta, as mãos tremendo. Senti o sangue nas têmporas, um frio e um calor ao mesmo tempo.

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