POV: HAPHEL
Tudo passou como um borrão confuso. As luzes, os sons, as perguntas dos policiais... nada parecia real. Quando contei sobre a ligação, a voz ameaçadora e os rosnados, disseram que eu estava em estado de choque. Que minha mente havia criado aquilo como forma de lidar com o trauma.
— Aquilo não foi imaginação. — Murmurei, com a voz baixa, os olhos pesados e ardidamente cansados. Diante da lápide da minha mãe, toquei a pedra gelada com a ponta dos dedos. — Eu vou descobrir quem fez isso com você, mamãe... Eu prometo. Vou encontrar essa coisa e fazê-lo pagar.
Beijei os dedos e os apoiei sobre o nome gravado na pedra. Um arrepio percorreu minha espinha de cima a baixo, deixando meu corpo rígido por instinto. Algo estava errado.
Levantei a cabeça devagar. A sensação de alguém me observando.
Olhei em volta no cemitério, atenta a qualquer movimento. O vento soprava leve, mas a sensação de estar sendo vigiada era sufocante. O estômago apertou, um frio subiu pela barriga. Meus dedos se fecharam em punho, aquela ameaça ainda ecoava em minha mente:
“Você será a próxima, princesa.”
— Por que aquela voz me chamou de princesa? — Murmurei, esfregando os braços. — Você sabia que algo estava vindo, não sabia, mamãe? Por isso estava tão assustada...
Sequei os olhos com o dorso do punho, respirando fundo para me manter de pé. Peguei o celular, mas algo na tela me fez parar. Uma notificação. Uma única mensagem. A Gravação, franzi o cenho. Era da minha mãe.
Toquei, hesitante.
— Oi, filha. É a mamãe. — A voz dela preencheu meus ouvidos, congelei. Meus dedos apertaram o aparelho, os lábios começaram a tremer. — Se está ouvindo essa mensagem, é porque... eu tive que partir. Me desculpe por te deixar assim.
— Mãe... — Sussurrei, quase sem som. Um nó se formou na garganta com tanta força que mal consegui engolir.
— Haphel, me perdoe, filha... Eu menti para você. — A voz da minha mãe tremia na gravação. — Ocultei o seu passado achando que, assim, te manteria segura. Longe daqueles que desejam o seu mal.
Ela fez uma pausa, e só o som da sua respiração já me deixou tensa.
— Mas infelizmente... aquele maldito nunca vai te deixar em paz.
Segurei o celular com mais força, o coração disparado. Dei um passo para trás e olhei para a lápide.
— De quem você está falando, mãe? — Perguntei em voz baixa, o olhar fixo na pedra fria. — Quem te fez viver com tanto medo?
A mensagem continuou, e a próxima revelação me atingiu.
— Seu pai não foi embora como eu te disse. Ele foi assassinado. Pela mesma pessoa que agora te caça. — A voz dela falhou, e um gemido abafado entregou a dor que ela tentava esconder. — Ele era um homem incomum, filha. Um ser extraordinário. Diferente de tudo o que você pode imaginar. Tudo o que fizemos foi por você. Para proteger quem você é. Para proteger nossa linhagem.
— Linhagem? — Repeti em voz baixa. — Por que ela me enviaria isso antes do ataque? — Sussurrei, engolindo em seco. — Se sabia que estava em perigo... por que não fugiu?
A gravação continuou, e a voz dela ganhou força:
— Você não pode ser pega, Haphel. Se for, tudo estará perdido. Promete que vai me ouvir? — respirou fundo. — Preciso que encontre Aidan Belmont. Ele é o único que pode te manter segura. Diga a ele... diga que... está na hora de pagar a dívida do Alfa Bryan.
— Alfa? O que é um Alfa? — Murmurei. — O que meu pai tem haver com isto?

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