Beatriz adentrou vagarosamente, retirou incensos para queimá-los e, com os joelhos no chão, ajoelhou três vezes na direção aos ancestrais, cravando as varetas logo a seguir.
Ela virou o rosto para quem estava ali e soou a voz serena.
— Isadora, lutamos na infância toda; até hoje você perdeu para mim em tudo. Por tantos anos seguidos, como que não tirou uma lição?
— Foi por absoluta sorte e mais nada!
— Foi o que aconteceu?
Isadora revirou os olhos e observou-a: — Foi o destino, entenda.
— Você engana muito bem a si mesma. — Beatriz riu da situação. — Suponha que fosse vitoriosa. Você, ausente de todo sentimento que a base sustenta e só apostando na sedução da sua aparência, ganharia alguma posse na residência dos Hoffman e o título de senhora?
— Que quer concluir com os ditos?
— Tudo se parecia fácil como descreve; várias das candidatas com seus trunfos indecentes alcançariam os postos. — Beatriz abaixou para visualizá-la no horizonte. — Presume que inexistiu outro plano audacioso, ou as responsáveis sofreram exclusão definitiva?
Isadora empalideceu e congelou de súbito.
Podia não ter os atributos espertos que Beatriz conservava; mas faltava a inteligência, decerto.
Considerando o patrimônio influente dos Hoffman, supondo ela ter dormido ao lado deles com êxito, um bilhão de trunfos existiam ali para calá-la para sempre.
O dilema consistiu somente na aversão insuportável frente à posição elevada de Beatriz; o sermão não calava no coração de Isadora.
— Beatriz, pisou para humilhar perante mim por os Hoffman não darem bola senão a sua figura?
— Mas isso é um fato; fazer o quê, se o Vovô Henrique está em dívida comigo.
Beatriz virou-se e, ao chegar à porta, acrescentou: — Antes, eu mandava você estudar, mas você só queria saber de brincar e se divertir. Agora entende a vantagem de aprender mais, não é?

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