— Naquela época eu estava na minha fase rebelde, agora entrei no caminho certo.
Theo esmagou a bituca do cigarro com a mão nua e a jogou pela janela. A mão grande segurou o queixo dela, os lábios finos curvaram-se em um sorriso desenfreado, o tom insatisfeito: — O quê, eu não sou melhor que Arthur?
Beatriz ficou atônita. Olhando para o rosto bonito do homem tão próximo, os olhos dela se curvaram: — Sr. Hoffman, não me diga que está com ciúmes?
Por que parecia haver um cheiro azedo no ar?
Ele riu baixinho na garganta, esfregando o canto dos lábios dela com a ponta do polegar. O tom era preguiçoso e perigoso: — E se for?
Beatriz achou que ele diria qualquer coisa, menos que realmente admitisse.
O lago calmo do seu coração formou ondulações.
— É brincadeira, né? Quanto tempo faz que nos conhecemos...
Com tantos anos de relacionamento com Arthur, ela nunca o viu com ciúmes. Ela e Theo se conheciam há apenas um mês; será que ele já tinha se apaixonado por ela?
Gostar de alguém era tão fácil assim?
— Conhecer há muito tempo não significa gostar muito. — Theo se aproximou e traçou os contornos macios dos lábios dela com os seus levemente frios.
As pupilas de Beatriz se contraíram levemente. Antes que pudesse pensar, seus lábios foram capturados com força. A ponta da língua pressionou de leve contra os lábios e dentes dela, e ele ordenou com voz rouca: — Abra a boca.
A voz era magnética e envolvente. Ela abriu levemente, e a ponta macia da língua entrou, varrendo toda a sua respiração e razão. Lábios e dentes se entrelaçaram. Apenas o hálito quente agitou-se loucamente no espaço apertado; o aroma de álcool misturado ao cheiro fraco de tabaco a envolveu num instante.
Ela ficou com o corpo inteiro mole pelos beijos dele. As pontas dos dedos que agarravam a camisa do homem se curvaram ligeiramente, afundando por completo.
O beijo terminou. Ela encostou no peito do homem, ofegando com os lábios entreabertos. Os lábios agora umedecidos, vermelhos, inchados e brilhantes, pareciam pétalas manchadas por gotas de chuva, cheias de fragrância.
— Te dou três dias para se mudar para lá, caso contrário, só me restará ir pessoalmente conversar com o Sr. Cavalcante.
Beatriz mordeu o lábio. — Você poderia ter um pouco de bom senso?
— Se eu não tivesse bom senso, já a teria amarrado, levado de volta e a trancado ao meu lado. — Theo abaixou os olhos e cerrou os dentes. — Não esqueça que foi você quem me provocou primeiro!
— ...
Uma vez que o homem experimentou a carne, era como uma fera que teve as correntes soltas; a possessividade escapava do controle loucamente.
Só neste momento Beatriz experimentou isso plenamente!

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