O vento frio arrastava as folhas, quase entrando nos ossos.
Beatriz ajustou o casaco e olhou para o céu noturno, com os cantos dos olhos vermelhos.
Ela se aproximou da calçada e, assim que ia pedir um carro, uma mão áspera tapou a sua boca e o seu nariz. Um anestésico invadiu a sua respiração instantaneamente, e uma tontura avassaladora tomou conta dela. A força no corpo desapareceu e as luzes da rua borraram diante de seus olhos.
Em poucos segundos, perdeu totalmente a consciência.
Quando acordou, estava num quarto desconhecido.
Sem força no corpo, não conseguia se mexer.
Passos ecoaram lá fora e logo a porta se abriu.
Três homens sem camisa entraram e olharam para ela com uma avidez descarada.
O homem da frente abaixou-se e os seus dedos ásperos tocaram a gola da roupa dela, num tom baixo.
— Essa aparência... digna de ser a mulher de Arthur.
Outro homem acompanhou a risada, com um olhar obsceno.
— A gente só aproveita a vida mesmo brincando com uma dessas. Hoje os irmãos tiraram a sorte grande.
— Ouvi dizer que ela ainda é virgem, deve ser uma delícia.
— Ninguém briga comigo, eu vou primeiro!
— E por que você iria primeiro? As coisas boas sempre ficam para você.
— Então vamos juntos?
Os três trocaram olhares maliciosos, fixando-se nela sem desviar.
As pupilas de Beatriz se contraíram de repente. Um medo agarrou seu coração e o pânico em seu olhar quase transbordou.

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