A porta foi levemente aberta e Isadora Cavalcante entrou.
— Bia...
Beatriz ergueu os olhos e a observou calmamente.
Os hematomas em seu rosto já haviam sumido completamente, sem deixar qualquer marca.
— Algum problema?
Isadora se aproximou e entregou-lhe uma caixa de biscoitos.
— Eu mesma assei, trouxe para você provar.
Lá dentro estavam os biscoitos amanteigados de que Beatriz sempre gostou.
Quando alguém oferecia algo do nada, tinha segundas intenções.
— Tão gentil? — Ela olhou para Isadora com um sorriso enviesado. — Não colocou veneno nisso, colocou?
— Claro que não! Como você pode pensar algo tão ruim de mim? Se não quer, eu prefiro dar para o cachorro a dar para você!
Isadora fez menção de pegar a caixa de volta, mas Beatriz colocou a mão sobre ela.
— Que boca ruim! Parece que você se recuperou bem. Mas o que foi dado não se tira de volta.
Isadora recolheu a mão, sentindo-se um pouco desconfortável, e murmurou:
— Na última vez... você me salvou, encare isso como um agradecimento.
— Hum, vou provar. Se não houver mais nada, vá trabalhar.
Isadora olhou para ela, evitou o contato visual e soltou de forma sem jeito.
— Se você não se acostumar a morar fora, pode voltar para casa. O Bê... sempre fala de você, é irritante.
— Agradeço a preocupação, mas estou bem morando fora.
— Quem está preocupada? Você se acha demais.
Dizendo isso, ela virou as costas e saiu rapidamente.
Beatriz levantou levemente a sobrancelha e voltou os olhos para a caixa de biscoitos, pegando um e colocando na boca.
Era macio, crocante e derretia na boca; o sabor não era doce demais.

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