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— Você me salvou. O que você quer?
Letícia girou os olhos, o encarou e jogou de brincadeira. — Não falta nada pra mim. Que tal casar comigo então?
O homem claramente não esperava aquela resposta direta. Seus olhos escuros hesitaram por um segundo e voltaram ao normal.
— Quer casar comigo sem nem saber quem eu sou? Não tem medo que eu seja um serial killer e queira te matar?
— Ah... — Letícia deu dois passos pra trás e riu amarelo. — Era piada! Quando der conta, some daqui. Sai da porta e vira a direita. Adeus!
O homem ficou em silêncio.
A mulher mudava de humor mais rápido que trocar de roupa.
Tinha amor à vida.
Ele fechou os olhos de leve, apertou a barriga que doía e disse num tom calmo. — Não consigo levantar, tô com fome.
A intenção era mandar ela preparar algo.
Letícia ficou parada, encarando-o. — Não abrigo assassinos, não.
— Então liga pra polícia. — Ele falou sem mudar o tom. — Quando eles chegarem, eu digo que você me escondeu.
— Você tá me traindo?
— Sim. — Ele assumiu na cara de pau. — Não sou bom de coração. Me salvou porque deu azar.
— Além do mais, se me jogar fora agora e quem tá atrás de mim descobrir que me salvou, não vai te perdoar.
De qualquer jeito, ela estava sem saída.
Letícia ficou furiosa, sentou no sofá de perna cruzada e jogou a toalha. — Tá bom! Morre de fome aí então! Não vou ser sua empregada!
O homem abriu os olhos, olhou para ela com cara de brava e decidida a morrer, pensou por um momento e começou a falar.
— Não sabe aceitar brincadeira? Você me salvou. Quando eu melhorar, te dou cinco milhões.
Cinco milhões?
Os olhos de Letícia brilharam na hora, depois ficou desconfiada.
— Tem mesmo?
— Confia em mim, eu tenho.
— Então faz uma nota promissória!
Apesar dele ser até bem ajeitado, ninguém sabia quem era, e ela temia por confusão.

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