Encostada na beirada, ela contou: — Armaram para mim, ele me salvou, e eu acabei não me segurando... Fui eu quem atacou primeiro, fui para cima dele.
Lembrar daquele dia ainda dava medo em Beatriz, pois se algo desse errado, ela estaria arruinada.
— Mandou bem, amiga!
Os olhos de Letícia brilharam de empolgação.
Beatriz: — ...
— E depois? Vocês se falaram de novo?
— Não. — Beatriz brincou com a água e respondeu, como se não fosse nada. — Eu bloqueei ele.
Letícia a encarou, horrorizada: — Beatriz, você simplesmente usou o cara e jogou fora!
— ...
A área feminina tinha uma fonte termal ao ar livre perto da janela e dava para um deque de observação. As áreas masculina e feminina ficavam lado a lado, apenas com uma cerca baixa separando-as.
Ela vestiu o roupão e foi até o deque para pegar um pouco de ar. Assim que segurou a grade, notou um homem no outro deque e congelou na mesma hora.
O homem estava com um roupão amarrado e de costas para a luz. O formato do rosto era definido e a aparência se destacava.
Theo Hoffman estava ajeitando a gola do roupão, e quando ergueu a cabeça, olhou direto para ela, deixando-a sem graça.
Afinal, ele a havia salvado na noite anterior, e não só ela tinha transado com ele, como também largou um cartão lá e foi embora.
Com um sorriso constrangido, ela disse: — Sr. Hoffman, que coincidência.
— A senhorita Cavalcante não vai me dar uma explicação?
O coração de Beatriz apertou: — Foi apenas uma noite, não precisa levar isso tão a sério, né? Além do mais, era minha primeira vez, você não saiu no prejuízo...
Theo se aproximou e abaixou um pouco o corpo para encará-la: — Que coincidência, também foi a minha primeira vez.
— Mentira!

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