Beatriz sorriu de forma modesta: — Aprendi um pouco com o meu avô quando era pequena. Sei apenas o básico.
— A Srta. Cavalcante não precisa ser tão humilde. Os médicos disseram na época que a crise do meu avô foi muito grave. Se fosse alguém com habilidades médicas comuns, ele não teria sobrevivido.
No lado oposto, Isadora via os dois conversando de forma tão harmoniosa, e apertou os dedos discretamente, enquanto um traço de inveja e ódio passava rápido por seus olhos.
Se soubesse que Beatriz salvaria Dom Henrique Hoffman com seus conhecimentos médicos, ela nunca teria recusado tão teimosamente quando o avô quis levá-las para passar um tempo em Vila Serena.
Se ela também entendesse de medicina e tivesse salvado Dom Henrique, talvez fosse ela quem estaria prestes a se casar com a família Hoffman agora.
Isadora abriu a boca imediatamente: — Se não fosse pela minha irmã ter fugido do casamento há três anos, um homem tão bom quanto o Sr. Hoffman já seria meu cunhado há muito tempo.
Ela estava tocando exatamente no ponto mais delicado.
O homem, no entanto, deu um leve sorriso: — Talvez o pedido inicial do avô tenha sido muito repentino, e é compreensível que a Srta. Cavalcante tenha achado difícil aceitar na hora.
— Que nada, ela não quis mesmo. Minha irmã saiu de Metrópolis, foi para Vila Serena, arrumou um namorado rapidinho e até foi morar junto com ele. Eles só terminaram há pouco tempo.
— Isa!
Heloísa fingiu dar uma bronca, mas o sorriso em seus olhos quase não pôde ser escondido.
Ela se virou para 'Henrique Hoffman Jr.', com o rosto cheio de desculpas: — Sinto muito, Sr. Hoffman. Isadora fala o que pensa, por favor, não leve a mal. Eu vi a Beatriz crescer desde pequena, e posso garantir que o caráter dela é impecável.
Esse discurso soou mais como uma tentativa de encobrir um problema do que ajudá-la.
O clima, em vez de relaxar, tornou-se cada vez mais pesado.
Beatriz apenas deu um sorriso leve, sem pressa para se defender.
Ela já esperava que as duas não tivessem vindo com boas intenções.
A intenção era expor o passado de seus relacionamentos em Vila Serena bem na frente de 'Henrique Hoffman Jr.'.
Homens comuns não engoliriam esse desaforo, muito menos o líder de uma família tão prestigiada como a Hoffman.
O que elas estavam fazendo equivalia a esbofeteá-lo em público, tirando-lhe toda a dignidade.
Como diz o ditado: onde há três mulheres, há um teatro. Ele, no momento, parecia estar assistindo a um espetáculo gratuito.
O olhar de 'Henrique Hoffman Jr.' recaiu sobre a calma Beatriz: — Srta. Cavalcante, tem algo a dizer sobre isso?
Beatriz sorriu suavemente: — Quando somos jovens e imaturos, quem não tem falhas e um passado? Acredito que o Sr. Hoffman tenha a mente aberta e não seja alguém que se apegue a ninharias.
— Ah é? E como você sabe que eu não me importo?

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