POV: ROCCO
Subi com Sky pelo elevador até o quarto andar, mantendo minha mão firme na dela durante todo o caminho.
Minha ideia inicial era apenas dar uma carona e voltar direto para a construtora. Mas, depois da discussão com Gouveia na calçada e da reação de Sky, eu precisava ver com os meus próprios olhos o que estava acontecendo.
Entramos no quarto 408.
Moon estava ajoelhada perto da poltrona, com o rosto molhado de lágrimas, tentando ajeitar o cobertor sobre as pernas do pai. Otávio estava sentado com uma máscara de oxigênio cobrindo parte do rosto. O peito magro subia e descia depressa, e os dedos dele tremiam sobre o cobertor.
Quando os olhos dele encontraram os meus, seu corpo ficou rígido.
Parei perto da porta e inclinei a cabeça em um cumprimento silencioso. Eu não tinha intimidade com aquele homem e não pretendia invadir o momento das filhas com ele.
Sky correu até a irmã. As duas se ajoelharam diante do pai, segurando as mãos dele e falando baixo para tentar acalmá-lo.
Fiquei encostado no batente, observando o estado de Otávio depois da visita de Gouveia.
Havia alguma coisa errada naquela história.
Tirei o celular do bolso, saí do quarto e caminhei até o fim do corredor antes de ligar para Christian.
Ele atendeu no terceiro toque.
— Fala, Rocco. Conseguiu conversar com os engenheiros?
— A reunião vai ter que esperar — respondi, mantendo a voz baixa. — Aconteceu uma coisa mais importante.
— Tem a ver com Moon?
— Tem. Gouveia acabou de sair daqui. O pai das meninas ficou muito abalado depois que ele apareceu. Teve uma crise, precisou usar a máscara de oxigênio e Sky quase avançou no pescoço dele lá fora.
— O que aconteceu?
— Eu ainda não sei. Mas acho que Otávio pode nos contar alguma coisa. Precisamos conversar com ele sem Sky e Moon por perto.
Christian ficou em silêncio por alguns segundos.
— Me avise quando o horário de visitas terminar.
— Fechado.
Desliguei e voltei para a porta do quarto.
Passei o restante da tarde no corredor, observando o movimento e evitando que qualquer pessoa se aproximasse das meninas sem necessidade.
Quando o horário de visitas terminou, a equipe de enfermagem entrou para administrar a medicação da noite. Otávio foi levado para a cama e adormeceu pouco depois. Antes de sair, a enfermeira verificou os aparelhos e avisou que ele permaneceria sob observação.
Convenci Sky e Moon a irem para casa descansar.
Coloquei as duas no meu carro e dirigi até o prédio onde moravam.
Estacionei em frente à entrada e desci para abrir a porta de Sky. Moon se despediu com um aceno cansado e entrou primeiro para abrir o apartamento.
Sky ficou parada na calçada. Depois, encostou a cabeça no meu peito e passou os braços ao redor da minha cintura.
— Obrigada por ter ficado lá comigo a tarde toda... Se você não estivesse lá, eu acho que teria feito uma loucura com Gouveia.
Pousei a mão na nuca dela e levantei seu rosto.
— Eu disse que não deixaria você sozinha, Sky. Estou aqui.

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