POV: MOON
A lancha atracou no deque particular quando os últimos raios de sol sumiam no mar. Subimos a rampa iluminada em direção à mansão e, assim que cruzamos a porta de vidro da sala, aproveitei o silêncio da casa para encurralar o Christian contra a parede lateral.
Fiquei na ponta dos pés, passei os braços pelo pescoço dele e colei a minha boca na dele em um beijo afoito, sugando o lábio inferior com vontade. Minhas mãos desceram pelo peitoral largo, passaram pelo abdômen e desceram direto para a frente da bermuda preta, apertando o volume pesado e rígido que já estava marcando o tecido.
O Christian soltou um gemido abafado contra a minha boca, mas no segundo seguinte segurou os meus dois pulsos com firmeza e afastou as minhas mãos do corpo dele.
Ele respirou fundo, me olhando de cima:
— Não, Moon. Agora não.
Pisquei os olhos, surpresa com o freio:
— Por que não?
— Porque você ainda tá sensível de ontem e eu não quero te machucar — ele respondeu, ajeitando a postura.
Arregalei os olhos, indignada:
— Como assim me machucar, Christian? Você já me mordeu no passado, já me deu tapa na bunda, me fez gozar até perder as forças, me comeu lá atrás e agora tá com essa frescura?
Ele segurou o meu queixo, falando com uma calma irritante:
— Justamente por isso, ratinha. Ontem você perdeu a virgindade e hoje eu quero cuidar de você. Quero te tratar feito uma princesa.
Cruzei os braços, bufei na cara dele e dei meia-volta, saindo pisando firme em direção à escada.
Subi os degraus com passos decididos. Não era ingratidão. Eu adorava ser cuidada e mimada, mas ser tratada feito uma estatueta de vidro intocável estava me tirando do sério. Eu tinha passado semanas querendo aquele homem, descobrindo o que era sentir desejo de verdade, e agora que estávamos sozinhos em uma ilha ele decidia bancar o homem disciplinado? De jeito nenhum.
Entrei na suíte máster, tomei uma ducha rápida no banheiro para tirar o sal da pele e deixei o cabelo úmido. Fui até a mesinha de apoio, peguei a garrafa de vinho que ele tinha aberto na noite anterior e enchi uma taça generosa. Dei dois goles compridos, sentindo a queimação da bebida descer pelo peito e manter acesa a coragem que os drinques da lancha tinham começado.
Se o senhor Blackwood queria jogar o jogo do autocontrole, eu ia jogar para ganhar.
Fui até a minha mala, enfiei a mão bem no fundo e puxei a embalagem plástica que eu tinha comprado escondida em Porto Alegre.
No meio das lingeries provocantes, havia uma fantasia completa de ratinha.
Tirei as peças da sacola e vesti na frente do espelho. A calcinha era minúscula, pouco mais larga que uma tira de renda preta, com um rabinho comprido e fino costurado logo acima do cós na parte de trás. O sutiã era feito de um tecido rendado com babadinhos brancos no decote, levantando os meus seios e deixando a maior parte do colo exposta. Puxei meias sete-oitavos de arrastão fino pelas pernas, presas por ligas elásticas decoradas com fileiras de pequenas pérolas que batiam contra as minhas coxas.
Prendi o cabelo loiro em duas marias-chiquinhas altas nas laterais da cabeça, deixando algumas mechas soltas no rosto, e encaixei a tiara com orelhas arredondadas de veludo no topo da cabeça.
Bebi o resto do vinho da taça, passei a língua pelos lábios e respirei fundo.
Saí do closet e caminhei pelo corredor amplo da suíte até a antessala do andar superior.
O Christian estava sentado em uma poltrona de couro diante da bancada de trabalho, concentrado na tela iluminada do notebook, com uma garrafa de água ao lado.
Sem tirar os olhos da tela, ele ouviu o barulho suave dos meus passos e falou com a voz tranquila:
— Já desemburrou, Moon? Você quer comer alguma coisa lá embaixo? Tá com fome?
Parei a três passos da mesa dele, mantendo a postura ereta:

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