POV: MOON
Abri a mala em cima do suporte do quarto e fui direto no fundo da bagagem.
O Christian disse com todas as letras que eu podia vestir o que eu quisesse. Pois eu ia testar o limite daquela marra toda.
Puxei o menor conjunto que eu tinha levado: um biquíni cortininha verde-esmeralda, bem pequeno, com as tiras finas de amarrar nas laterais do quadril e a parte de trás no estilo fio-dental mais cavado que a loja tinha. Vesti a peça na frente do espelho. O tecido cobria apenas o essencial, deixando a barriga reta, as marcas leves da noite anterior na pele clara e toda a curva das minhas coxas à mostra.
Passei protetor solar pelo corpo, prendi metade do cabelo loiro no alto da cabeça com uma presilha e joguei uma saída de praia de renda transparente por cima dos ombros, apenas aberta, sem amarrar nada. Calcei uma rasteirinha e desci direto para a garagem náutica.
O Christian já estava me esperando no deque de madeira, encostado na amurada de uma lancha esportiva imensa.
Ele usava apenas uma bermuda preta de praia e óculos escuros de armação pesada. O peito largo, os ombros cobertos de tatuagens e os músculos do abdômen pareciam esculpidos sob a luz do sol. Ele parecia uma muralha viva.
Quando o barulho dos meus passos no deque chamou a atenção dele, o Christian virou o rosto na minha direção.
Ele desceu os óculos escuros até o meio do nariz com o indicador. Os olhos escuros desceram da minha boca até os meus pés, medindo cada centímetro de pele exposta pelo tecido verde minúsculo. A respiração dele pesou no peito, as narinas inflaram de leve e ele empurrou os óculos de volta para o lugar, cruzando os braços grossos:
— Você chamou isso de biquíni, Moon?
Parei na beirada do deque, cruzei os braços e empinei o queixo:
— Foi você mesmo que disse que eu podia vestir o que eu quisesse. Tá reclamando agora?
Ele desceu a escadinha da lancha com calma, estendeu a mão grande e fechou os dedos no meu pulso, me puxando para o deque do barco com total facilidade. Ele colou o corpo no meu, segurou a minha nuca com a palma quente e encostou a boca no meu ouvido:
— Eu não tô reclamando de nada, ratinha. Eu tô apenas calculando o trabalho que você vai me dar para manter as minhas mãos longe dessa sua bunda hoje.
Dei uma risada baixa contra o pescoço dele, achando graça daquela pose toda.
— É só não manter.
O marinheiro particular do Christian desatracou a embarcação e assumiu o comando, acelerando os motores potentes em direção ao mar aberto da baía de Angra dos Reis. O vento salgado batia no meu rosto, refrescando a pele e balançando a renda da minha saída de praia.
A propriedade do Christian ocupava a encosta particular da ilha, mas as enseadas ao redor eram cheias de lanchas e iates de gente com dinheiro.
O marinheiro ancorou o barco em uma baía de águas calmas, mornas e transparentes, cercada por paredões de pedra e vegetação verde.
Tirei a saída de praia com calma, jogando o tecido sobre o estofado de couro branco, e fui direto para a beirada da plataforma de popa. Olhei para a água cristalina e pulei de cabeça, sentindo o mar abraçar o meu corpo aquecido pelo sol. Nadei alguns metros, voltei para a superfície e balancei a cabeça para tirar o cabelo molhado dos olhos:
— A água tá maravilhosa, Christian! Vem logo!
Ele tirou os óculos escuros, deixou na mesa da lancha e mergulhou com um salto perfeito. Em três braçadas fortes, ele já estava colado em mim. A mão pesada dele segurou a minha cintura por baixo da água, me puxando contra o peito largo e molhado.
— Você nada bem mesmo, ratinha — ele comentou com a voz rouca, com a água batendo na altura dos ombros dele.
— Eu avisei que sabia nadar — brinquei, jogando água no rosto dele com as mãos.
Ele fechou os olhos, passou a mão no rosto molhado e deu um sorriso de lado, daquele jeito perigoso dele:

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