POV/ CHRISTIAN
No final do corredor, paramos diante de uma porta de madeira maciça escura. A altura era menor do que o padrão das outras entradas da mansão, construída rente à parede para parecer apenas um armário de manutenção ou um depósito de toalhas da casa. A Moon já tinha passado por ali durante a manhã e nem sequer reparou na fechadura biométrica embutida no batente.
Apoiei o meu polegar no leitor digital. O mecanismo liberou a trava com um estalo metálico seco. Empurrei a folha pesada para dentro.
Tive que curvar os ombros e abaixar a cabeça para passar pela abertura estreita com ela no colo. O ambiente lá dentro era gelado pelo ar-condicionado central, com o cheiro característico de couro novo e cera vegetal preenchendo o espaço silencioso.
Bati a mão espalmada no painel elétrico ao lado da entrada.
As lâmpadas comuns ficaram apagadas. Duas fitas de neon avermelhadas acenderam rente ao rodapé e tubos suspensos no teto lançaram uma luz baixa e escarlate pelas paredes revestidas com painéis acústicos pretos.
A Moon parou de se mover. As pernas dela, que estavam firmes na minha cintura, afrouxaram devagar enquanto os dedos pequenos congelavam na pele dos meus ombros.
O cômodo era amplo, isolado do resto da mansão e projetado para a minha privacidade absoluta.
No centro do piso escuro, erguia-se uma estrutura de ferro tubular chumbada no teto com correntes de aço polido e algemas grossas de couro forrado penduradas nas extremidades. Na parede do fundo, uma cruz de Santo André em madeira de lei dominava o campo de visão, com amarras ajustáveis para pulsos e tornozelos. Ao lado, em um expositor aberto de carvalho, descansavam palmatórias de formatos variados, chicotes de tiras macias, floggers de couro cru, dezenas de metros de corda vermelha de algodão e vendas de seda preta perfeitamente alinhadas.
O coração da Moon começou a martelar contra as minhas costelas em um ritmo descontrolado, rápido e descompassado como as asas de um pássaro encurralado.
Os olhos verdes dela percorriam cada objeto, cada corrente suspensa e cada pedaço de couro, sem conseguir processar a utilidade da maioria dos instrumentos montados naquele espaço. A boca dela abriu de leve, buscando oxigênio, enquanto o rubor que antes vinha do vinho e da provocação dava lugar a uma respiração curta e trêmula. A petulância da fantasia de ratinha desmoronou sob a realidade daquele quarto.
Apertei os dedos com firmeza na curva da bunda dela, colando o meu quadril tenso contra a virilha dela até arrancá-la do choque:
— Você passou o dia inteiro tentando quebrar o meu controle, Moon. Vestiu essa roupa para me desafiar. Agora a gente vai brincar no meu terreno.
Desci o corpo da Moon devagar até os pés descalços dela tocarem o chão escuro. Ela ajeitou a postura, puxou a barra minúscula da calcinha e começou a olhar ao redor com os olhos verdes arregalados, absorvendo cada detalhe daquele espaço.
— Meu Deus... O que é isso aqui, Christian? — ela sussurrou, a voz saindo falhada. — Parece uma masmorra do sexo.
Soltei uma risada baixa, encostando o ombro no batente da porta:
— É o território do predador, ratinha.
Ela franziu a testa, virando o rosto para mim com uma expressão desconfiada e ciumenta:
— Você... você trouxe outras garotas para cá?
Dei dois passos largos na direção dela, sustentando o olhar firme para não deixar margem para dúvida:
— Nenhuma mulher colocou os pés aqui dentro além de você, Moon. E nenhuma outra vai colocar. Eu mandei equipar e reformar esse quarto inteiro assim que te reencontrei em Porto Alegre. Eu sabia que, quando colocasse as minhas mãos em você de novo, esse seria o nosso lugar de perdição.
A desconfiança no rosto dela se desfez, dando lugar a uma curiosidade que ela mal conseguia disfarçar.
A Moon começou a caminhar pelo cômodo com passos lentos. Parou primeiro embaixo da estrutura metálica chumbada no teto, esticou o braço e tocou as argolas de aço e as cordas grossas de algodão vermelho usadas para shibari e suspensão. Em seguida, caminhou até a cruz de madeira escura chumbada na parede do fundo, passando as pontas dos dedos pelas amarras de couro acolchoado presas nos quatro cantos.
Logo ao lado, ela travou diante de um cavalete pesado de madeira maciça, com três aberturas circulares articuladas: duas menores nas laterais e uma maior bem no centro.
Ela franziu o cenho, apontando o indicador para a estrutura:
— Meu Deus... Isso aqui parece aquele negócio medieval de arrancar a cabeça das pessoas. Guilhotina?
Soltei uma gargalhada solta, achando graça da comparação absurda:
— Não arranca cabeça nenhuma, Moon. Isso é um pilori. Serve para prender o pescoço e os pulsos, mantendo o corpo inclinado para a frente, totalmente exposto e imóvel.

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