POV/ CHRISTIAN
A língua dela tentou acompanhar a minha e perdeu no mesmo segundo. Mordia o lábio inferior dela, puxava, soltava, voltava a entrar fundo, sentindo o gosto de vinho ainda quente misturado com a saliva dela. A Moon gemeu contra a minha boca, as unhas curtas cravando nos meus ombros, o corpo pequeno se contorcendo no meu peito como se quisesse subir por mim outra vez.
Afastei os lábios só o suficiente para descer a boca até o ouvido dela.
— Você não devia ter me provocado.
Ela mordeu o meu lábio de baixo, puxando a carne com os dentes, e sussurrou contra a minha boca:
— Por quê? O que você vai fazer?
Soltei uma risada baixa no pescoço dela.
— Você vai ver.
A mão que estava na nuca desceu para o ombro. Apliquei pressão. Não foi um empurrão violento. Foi um comando. O corpo dela cedeu na hora. As pernas torneadas dobraram, os joelhos desceram no piso escuro, e a Moon ficou ajoelhada na minha frente com as duas marias-chiquinhas caídas para a frente, a tiara de ratinha torta, a boca vermelha e úmida, os olhos verdes erguidos para mim.
Fiquei olhando para ela de cima.
Quase dois metros de altura. Ela no chão. A fantasia ridícula e gostosa demais, o sutiã rendado empurrando os seios para cima, a tira preta da calcinha sumindo entre as nádegas, o rabinho fino encostado no piso.
Dei a volta nela uma vez. Devagar. Sem falar nada. A segunda volta, parei atrás da nuca dela e segurei o queixo, obrigando o rosto a continuar erguido. Na terceira, parei de frente outra vez.
— Me escuta com atenção, Moon.
A garganta dela mexeu.
— Eu sou seu. A única pessoa que me interessa nesse mundo é você. Fora dessas quatro paredes, você tem voz. Tem opinião. Eu até entro em consenso com você.
Inclinei o tronco, segurando o queixo dela entre o polegar e o indicador, forçando aqueles olhos verdes a não desviarem do meu.
— Mas aqui dentro... entre essas quatro paredes... eu exijo submissão total.
Ela engoliu em seco. Não recuou.
Caminhei até o expositor de carvalho. Peguei a coleira preta de couro, larga, com fivela ajustável e uma argola de aço na frente. A guia já estava presa. Voltei até ela, agachei na frente do rosto pequeno e passei o couro em volta do pescoço claro.
A fivela fechou com um estalo seco.
Ajustei até ficar justa o bastante para ela sentir. Não o bastante para tirar o ar. Ainda.
Puxei a guia para cima, obrigando o queixo dela a levantar.
— Rabo no chão. Anda.
A Moon obedeceu. Apoiou as palmas no piso, projetou o quadril para trás e começou a rastejar na minha frente, o rabinho da fantasia balançando a cada movimento, as meias de arrastão raspando no chão, as pérolas das cintas afundando nas coxas. Puxei a coleira o bastante para a tira de couro pressionar a garganta dela. Um puxão curto. Controlado. Ela soltou um som agudo, quase um miado, e eu ri baixo.
— Você é gato ou é rato?
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