POV/ SAKURA
Caminhei alguns passos pelo quarto antes de me virar novamente. Nathan também se levantou.
— Não começa.
— Eu que estou começando? — Passei a mão pela trança recém-feita, sentindo a irritação aumentar. — Diego, Diego, Diego. Você pensa nele antes de fazer qualquer coisa relacionada a mim.
— Ele é meu melhor amigo.
— E eu sou o quê?
A pergunta o fez parar.
Nathan ficou me olhando, mas não respondeu imediatamente.
— Não foi isso que eu disse.
— Você acha que eu sou uma boneca de pano? Que não tenho sentimentos porque sou irmã dele?
— Eu nunca disse isso.
— Mas age como se minha vida precisasse passar pela autorização do Diego!
Nathan deu dois passos na minha direção. A tranquilidade que existia segundos antes desapareceu completamente de seu rosto.
— Não é autorização!
— Então o que é?
Ele passou as duas mãos pelo rosto, respirou fundo e abriu os braços.
— É a porra do meu melhor amigo!
Meu peito apertou.
Eu sabia que Diego era importante para Nathan. Sabia melhor do que quase qualquer pessoa. Os dois tinham atravessado coisas juntos que eu provavelmente nunca entenderia por completo.
Mas eu também existia.
— E eu tenho sentimentos, tá bom?
— Eu também tenho sentimentos, porra!
A resposta veio tão forte que fiquei quieta por um instante.
Nathan respirava mais rápido. Os ombros estavam tensos e os olhos verdes permaneceram presos nos meus.
Balancei a cabeça.
— Não parece.
— Como não parece?
— Porque toda vez que acontece alguma coisa entre a gente, você foge. — Apontei para ele, sentindo a irritação se misturar com tudo que eu vinha guardando havia anos. — Você transforma tudo num problema. Meu irmão, sua família, seu passado. Qualquer coisa serve!
— Porque eu sou louco, Sakura!
— Eu sei!
— Não, você não sabe!
— Então explica!
Nathan abriu a boca.
Nenhuma resposta saiu.
Ele respirou fundo, desviou o rosto por um segundo e passou a mão pelos cabelos, como se ainda tivesse tempo de engolir o que estava prestes a dizer.
Não teve.
— Como você acha que eu vou olhar para o Diego e dizer que sou apaixonado pela irmã dele?
Fiquei imóvel.
Nathan também.
O silêncio que caiu entre nós não tinha nada a ver com aquele silêncio confortável de antes.
Ele percebeu primeiro o que tinha acabado de falar.
Eu percebi logo depois.
Nathan fechou os olhos e passou a mão pelo rosto, enquanto meu coração começou a bater tão forte que senti a pulsação na garganta.
— O quê?
— Sakura...
Dei um passo na direção dele.
— Você falou apaixonado?
Nathan abriu os olhos.
Por alguns segundos, pareceu considerar todas as possibilidades de fuga disponíveis naquela suíte.
— Você entendeu.
Fiquei olhando para ele.
Apaixonado.
Nathan.
Por mim.
O desgraçado tinha realmente falado.
Uma vontade absurda de sorrir começou a puxar minha boca, mas cruzei os braços e tentei controlar.
— Tem razão.
Nathan franziu a testa.
— Tenho?
— Entendi perfeitamente.
Os ombros dele relaxaram um pouco.
— Ótimo.
Inclinei a cabeça.
— Você é um frouxo.
— Ah, vai se foder.
Não aguentei e comecei a rir. Nathan me olhou como se considerasse seriamente me jogar pela janela.
— É sério! — reclamei entre a risada.
— Eu acabei de falar que sou apaixonado por você e sua resposta é me chamar de frouxo?
— Você não falou para mim. Deixou escapar enquanto reclamava do Diego.
— Qual é a diferença?

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