POV/ SAKURA
Ele ficou me olhando por um instante, mas não insistiu. Destravou as portas e entrou pelo lado do motorista.
Sentei no banco do passageiro.
Nathan ligou o carro e saiu do estacionamento em silêncio.
Durante o caminho, fiquei olhando pela janela. As luzes da rua atravessavam o vidro em intervalos e iluminavam o rosto dele por poucos segundos antes de desaparecerem outra vez.
Eu tinha conseguido o que queria.
Nathan.
Tinha sido incrível.
Ele tinha dito que era apaixonado por mim.
Então por que eu estava triste?
Virei o rosto discretamente. Nathan mantinha os olhos na rua, uma das mãos firme no volante, a outra próxima ao câmbio. Continuava bonito demais, mesmo cansado, com os cachos ainda desorganizados e a mandíbula tensa.
A dúvida apareceu sem que eu conseguisse impedir.
Aquilo tinha sido especial para ele?
Ou Nathan tratava todas daquele jeito?
Talvez eu tivesse transformado aquela noite na maior coisa da minha vida enquanto, para ele, tinha sido apenas mais uma sessão que saiu do controle.
Talvez eu tivesse provocado, insistido e empurrado até conseguir exatamente o que queria, enquanto ele acordaria no dia seguinte arrependido.
Meu estômago embrulhou.
Virei novamente para a janela.
Eu odiava aquela sensação.
O carro diminuiu a velocidade algum tempo depois e parou diante de casa. Soltei o cinto e segurei a maçaneta.
— Obrigada pela carona.
— Sakura...
Antes que Nathan continuasse, o celular tocou no console. Ele baixou os olhos para a tela e soltou o ar.
— É o Diego.
Uma risada quase escapou.
Claro que era.
Abri a porta.
— Atende.
— Sakura.
Parei com um pé já do lado de fora e olhei para ele. Nathan parecia querer dizer alguma coisa, mas eu não tinha energia para descobrir se ouviria outra preocupação com meu irmão.
— Boa noite, Nathan.
Fechei a porta antes que pudesse responder.
Atravessei o caminho até a casa sem olhar para trás. Meu corpo ainda carregava as sensações daquela noite, meu coração estava ridiculamente feliz por finalmente saber que Nathan sentia alguma coisa por mim e, ao mesmo tempo, uma tristeza estúpida continuava apertando meu peito.
Eu estava feliz, apaixonada, satisfeita, confusa e com raiva.
De algum jeito ridículo, também me sentia rejeitada por um homem que tinha acabado de admitir que era apaixonado por mim.
Moon tinha razão sobre uma coisa.
Se Nathan era louco, eu precisaria ser mais louca.
Assim que entrei em casa, encontrei a luz da sala acesa. Fechei a porta devagar atrás de mim e atravessei o corredor tentando não fazer muito barulho.
A primeira coisa que vi ao chegar à sala foi Sky encolhida em um dos cantos do sofá com uma tigela no colo.
Parei no meio do caminho.
Ela estava de roupa confortável, com os cabelos presos de qualquer jeito e uma colher parada perto da boca. Moon ocupava a outra ponta do sofá, com as pernas dobradas e o celular nas mãos.
Aproximei-me de Sky e espiei a tigela.
— O que você está comendo?
Ela ergueu a colher como se a resposta fosse óbvia.
— Morango.
Inclinei-me um pouco mais.
— Isso eu reconheci.
Morango era a parte menos preocupante. Havia leite condensado suficiente para afogar as frutas e uma camada generosa de Toddy por cima.
Apoiei uma mão no encosto do sofá.
— Meu Deus.
Sky imediatamente protegeu a tigela junto ao corpo.
— Não julga.
— Eu não estou julgando. Estou tentando entender.
Ela colocou outro morango na boca e deu de ombros.
— Desejo de gravidez.
Comecei a rir.
— Seu filho vai nascer com glicose no lugar do sangue.
— Cala a boca.
Moon finalmente tirou os olhos do celular.
Primeiro olhou para meu rosto.
Depois para a jaqueta enorme cobrindo meu vestido.
Seu olhar desceu pelo meu corpo, voltou para o cabelo e parou na trança.
O sorriso dela apareceu devagar.
— Hummm.
Apontei imediatamente para ela.
— Não começa.
Sky esqueceu a tigela no mesmo segundo e olhou de Moon para mim.
— O quê?
Moon largou o celular sobre a própria coxa e se endireitou no sofá.
— Pela cara dela? Aconteceu.

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