POV/ SAKURA
Ele franziu a testa.
— Como assim?
— Hoje, no hospital. Ele perguntou pelas meninas, mas não mencionou nenhuma das duas pelo nome. E olhou para a dona Helena antes de perguntar.
Nathan se recostou na cadeira.
— Pode não significar nada.
— Pode. Mas pensa comigo. Se a família acredita que Otávio causou o acidente que matou os pais do Rocco, talvez algumas pessoas não aceitem que Christian esteja noivo da filha dele.
Nathan ficou olhando para a reportagem.
— É uma possibilidade.
— E talvez seja por isso que Lorenzo odeia tanto os Bittencourt.
— Sakura, Lorenzo também perdeu familiares naquele acidente. Mas isso não prova que ele queira fazer alguma coisa contra Sky ou Moon.
Assenti.
Ele tinha razão.
Ainda assim, voltei a examinar a fotografia da reportagem.
Três pessoas mortas.
Otávio gravemente ferido.
Ravi sobrevivente.
Duas famílias que, anos depois, continuavam ligadas por ressentimentos, processos e relacionamentos que pareciam provocar conflitos dentro da Blackwood.
Peguei o celular e fotografei a manchete e os dados de identificação do documento.
Nathan abriu mais duas reportagens. Uma delas tratava da repercussão do acidente; a outra mencionava disputas posteriores envolvendo o nome de Otávio Bittencourt.
Não encontrei nenhuma explicação clara sobre o processo relacionado à inteligência artificial.
— Será que as duas coisas têm relação? — perguntei.
Nathan olhou para mim.
— O acidente e a tecnologia?
— É.
— Não sei. Os documentos que encontramos não são suficientes para afirmar isso.
Passei a mão pelos cabelos.
— A Sky nunca me contou que o pai dela foi acusado de matar os pais do Rocco.
— Talvez não saiba exatamente como o caso foi divulgado.
Olhei novamente para a tela.
Era possível.
Sky tinha sido criança quando tudo aconteceu. Moon era ainda menor. Não sabia o quanto as duas conheciam sobre as investigações ou sobre as notícias publicadas na época.
Também não sabia se Otávio realmente havia cometido alguma imprudência.
A reportagem apresentava uma versão oficial, mas eu não tinha acesso aos documentos completos da investigação.
— Você acha que o Rocco sabe? — perguntei.
Nathan soltou o ar.
— Imagino que sim. Mas nunca conversamos sobre isso.
Fiquei olhando para a fotografia do acidente.
Era difícil imaginar Rocco carregando aquela história e, anos depois, se apaixonando justamente pela filha do homem responsabilizado pela morte dos próprios pais.
Apertei os lábios.
— Caramba.
Nathan assentiu devagar.
— Pois é.
Afastei a cadeira e me levantei. Minhas pernas estavam rígidas depois de tanto tempo sentada, e senti necessidade de caminhar um pouco.
— Vou beber água.
Nathan ergueu o rosto.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa. Vou ali no corredor.
Ele apontou para a porta.
— Tem um bebedouro perto dos elevadores.
— Já volto.
Peguei o celular e saí da sala, deixando Nathan diante do computador.
Enquanto caminhava pelo corredor, continuei pensando na reportagem.
A hostilidade de Heitor.
O comportamento de Christian.
A discussão com Lorenzo.
Pela primeira vez, eu tinha encontrado uma explicação concreta para o ressentimento entre as duas famílias.
Só não conseguia entender por que Christian estava preocupado com a segurança de Sky e Moon naquele momento.
Se o problema era um acidente ocorrido dez anos antes, o que Lorenzo poderia querer fazer contra elas agora?
O corredor estava praticamente vazio.
As lâmpadas permaneciam acesas, mas algumas salas tinham as portas fechadas e as luzes apagadas. O som dos meus passos ecoava discretamente sobre o piso enquanto eu seguia na direção dos elevadores.
Encontrei o bebedouro próximo a uma pequena área de descanso. Havia uma bancada com copos descartáveis, uma máquina de café desligada e duas poltronas vazias.
Peguei um copo e o enchi com água gelada.
Bebi devagar, tentando aliviar o desconforto que tinha se instalado no meu estômago depois da leitura daquelas reportagens.
Otávio Bittencourt.
Estela Bittencourt.
Os pais de Rocco.
O primo de Rocco.
Ravi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário