POV / CHRISTIAN
Helena se aproximou lentamente.
— Meu menino...
Ela pegou a mão de Rocco entre as suas.
— Você precisa voltar para nós, querido.
Sua voz começou a falhar.
Levantei-me para oferecer a cadeira, mas ela fez um gesto indicando que preferia continuar de pé.
— Vó, ele está recebendo os melhores cuidados.
Ela assentiu, embora não parecesse convencida.
— Eu sei.
Passei um braço ao redor de seus ombros.
— Vai ficar tudo bem.
Helena encostou a cabeça em mim.
— Você sempre diz isso.
— Porque acredito.
Ela ergueu o rosto e me observou durante alguns segundos.
— Você é um menino tão bom, Christian.
Sorri.
— Menino? Vó, já passei dessa fase faz tempo.
— Para mim, vai ser sempre aquele garotinho que chegou à nossa casa.
Seu olhar ficou distante.
— Tão pequeno... tão assustado.
Meu sorriso diminuiu.
Eu me lembrava daquele período.
Não de todos os detalhes, mas o suficiente para saber que a adoção mudara completamente minha vida.
— A senhora e meu pai fizeram muito por mim.
Helena apertou minha mão.
— Nós deveríamos ter feito mais.
Franzi a testa.
— Como assim?
Ela desviou os olhos para Rocco.
— Você merecia ter sido amado desde o primeiro dia.
— Vó...
— Não deveria ter passado por tantas coisas antes de chegar até nós.
Segurei suas mãos.
— A senhora não precisa ficar pensando nisso. Eu sou grato pela família que tenho.
Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
— Você sempre foi um Blackwood, Christian.
Fiquei em silêncio por um instante.
Depois sorri discretamente.
— Bom, oficialmente, desde a adoção.
Ela balançou a cabeça.
— Não, querido. Muito antes disso.
Olhei para ela.
— Como assim?
Helena pareceu perceber o que tinha dito.
Afastou a mão do meu rosto e voltou a olhar para Rocco.
— Quero dizer que você sempre foi um neto querido. E eu tenho muito orgulho de você.
Não insisti.
Minha avó estava emocionalmente abalada. Provavelmente pensava na minha infância e em tudo o que acontecera nos últimos anos.
Ela acariciou minha bochecha novamente.
— Você tem um coração bom. Não deixou que as coisas ruins mudassem quem você é.
— Tive bons exemplos.
Helena soltou uma risada triste.
— Nem todos, Christian.
Franzi a testa.
— O quê?
— Você não puxou seu pai.
Fiquei olhando para ela.
— Meu pai?
Ela não respondeu imediatamente.
— Você é diferente — murmurou.
Aquilo me deixou desconfortável.
Meu pai sempre tinha sido um bom homem para mim.
— Vó, aconteceu alguma coisa entre a senhora e ele?
— Não, querido.
— Então por que está falando assim?
Helena apertou o lenço entre os dedos.
— Estou cansada. Não ligue para as coisas que uma velha triste diz.
— A senhora não é velha.
— Mas estou triste.
Beijei sua testa.
— Eu sei.
Ela voltou sua atenção para Rocco e segurou a mão dele.
— Tantas coisas aconteceram que não deveriam ter acontecido...
Fiquei quieto.
— Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo diferente.
Sua voz saiu quase num sussurro.
— Teria sido mais corajosa. Teria impedido tanta coisa...
Observei seu rosto.
— Impedido o quê, vó?
Helena balançou a cabeça.
— Nada disso deveria ter terminado assim.
Ela passou a mão pelos cabelos de Rocco.
— Perdi tantas pessoas, Christian. Tantas...
— A senhora ainda tem a gente.
— Eu sei.
— Tem o Rocco, o Ravi, eu...
Ela começou a chorar.
Abracei-a pelos ombros.
— Ei, calma.
— Meus netos... — murmurou. — São tudo o que me resta.
— Vó, a senhora também tem meu pai e o vô.
Helena ficou imóvel.
Por um instante, tive a impressão de que ela nem estava me ouvindo.
Então respondeu:

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