POV/ MOON
Olhei para ela.
— Você encontrou alguma coisa?
— Encontramos movimentações financeiras suspeitas, contratos antigos e documentos que não combinam com a versão que foi apresentada sobre a tecnologia do seu pai.
— Que documentos?
— Alguns registros mostram negociações envolvendo a Blackwood e Sérgio Lacerda. O problema é que determinadas datas não fazem sentido se a tecnologia realmente pertencesse a ele.
Franzi a testa.
— Então meu pai estava dizendo a verdade?
— Os indícios apontam nessa direção. Mas ainda precisamos comprovar como a tecnologia foi apropriada, quem sabia e quem participou.
— E o Lorenzo?
Sakura hesitou.
— O nome dele aparece em situações que estamos verificando.
— Meu Deus.
— Também houve uma movimentação financeira enorme que chamou nossa atenção. Nathan não tinha autoridade para aprová-la, mas conseguiu orientar que a solicitação fosse submetida a uma avaliação adequada.
Fiquei olhando para ela.
— Quanto dinheiro?
— Uma quantia próxima de um bilhão de reais.
Levei a mão à boca.
— Um bilhão?
— Por isso precisamos tomar cuidado.
Balancei a cabeça.
— Eu não consigo entender como tudo isso aconteceu debaixo do nariz de tanta gente.
— Ainda não sabemos quem tinha conhecimento de cada parte.
Sakura fez uma pausa.
— E tem outra coisa. Eu ouvi uma discussão entre Christian e Lorenzo.
Endireitei-me na cadeira.
— Quando?
— Durante esses últimos dias. Christian estava muito irritado. Disse que Lorenzo não deveria tocar em vocês e que faria o necessário para protegê-las.
Meu coração acelerou.
— Ele falou isso?
— Falou.
Fiquei em silêncio.
Lembrei-me do rosto de Christian quando me pediu para não terminar.
Da maneira como ele evitava determinadas perguntas.
Da preocupação que demonstrava sempre que eu mencionava nossa família.
— Então talvez ele estivesse tentando me proteger — murmurei.
— É possível.
— Mas ele podia ter conversado comigo.
— Podia — Sakura concordou. — E você tem razão de estar magoada.
Agradeci silenciosamente por ela não tentar justificar tudo que ele havia feito.
Christian me amava.
Eu não duvidava disso.
Mas amar alguém não significava ter o direito de decidir sozinho quais verdades aquela pessoa poderia suportar.
— E o Rocco? — perguntei.
— O que tem ele?
— Será que ele sabe?
Sakura pensou antes de responder.
— Não temos como afirmar. Ele cresceu dentro dessa família, mas isso não significa que conheça todas as decisões tomadas pelos mais velhos.
Assenti.
— Mesmo assim, ele ama a Sky.
— Ama.
— E Christian me ama.
Sakura sorriu discretamente.
— Isso ninguém pode negar.
As lágrimas voltaram.
— É estranho pensar que nossas famílias carregam tanta mágoa e que justamente nós quatro acabamos nos apaixonando.
Sakura passou um braço pelos meus ombros.
Abracei-a.
Chorei por alguns instantes, cansada de tentar compreender tudo sozinha.
Quando me afastei, ela me entregou um guardanapo.
— Tem mais uma coisa que preciso te contar.
— O quê?
— Encontramos um arquivo protegido.
Franzi a testa.
— Protegido como?
— Existe uma camada de acesso que ainda não conseguimos abrir. Não sabemos exatamente o que há lá dentro.
— E vocês acham que tem relação com meu pai?
— É uma possibilidade. O contexto dos registros nos levou até aquele ponto, mas precisamos confirmar.
Pensei por alguns segundos.
— Posso tentar ajudar?

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