POV/ SKY
Peguei um pedaço de fruta e me acomodei melhor no sofá.
A casa ficou silenciosa.
Eu não estava acostumada a receber tantos cuidados. Desde que tinha chegado à casa de Diego, todo mundo parecia determinado a impedir que eu fizesse qualquer esforço.
Não que eu estivesse reclamando.
Quer dizer, reclamava um pouquinho.
Mas era bom saber que tinha pessoas preocupadas comigo.
Acariciei a barriga.
— Está vendo, feijãozinho? Você já tem um monte de gente mandando na sua mãe.
Sorri.
A televisão estava ligada, mas eu mal prestava atenção. Minha cabeça continuava voltando para a ligação de Christian.
Rocco estava fora de perigo.
Repeti aquela informação mentalmente várias vezes, como se precisasse ter certeza de que era verdade.
Logo ele acordaria.
E eu poderia contar tudo.
Encostei a cabeça na almofada e fechei os olhos.
Não sei quanto tempo fiquei cochilando antes de ouvir a campainha.
Abri um olho.
— Ah, não...
A campainha tocou novamente.
Suspirei.
— Aposto que esqueceram a chave.
Levantei com cuidado, sentindo uma pontada nas costas.
Meu cabelo estava preso num coque torto, minha blusa de tricô estava toda amassada e eu tinha certeza de que minha aparência não era das melhores.
Mas também não estava esperando visita!
Atravessei a sala, resmungando.
— Essas duas ainda vão me deixar maluca...
A campainha tocou pela terceira vez.
— Já vai!
Cheguei à porta e girei a maçaneta.
— Nossa, vocês esqueceram alguma...
Parei.
Meu sorriso desapareceu imediatamente.
A mulher diante de mim não era Moon.
Muito menos Sakura.
Reconheci aquele rosto na mesma hora.
Era a senhora que eu tinha visto no hospital.
A avó de Rocco.
Helena Blackwood.
Engoli em seco.
— Boa noite.
Ela me observou dos pés à cabeça antes de responder.
— Boa noite, senhorita Bittencourt.
Seu olhar passou rapidamente pelo meu cabelo preso de qualquer jeito e pela roupa amassada.
Senti meu rosto esquentar.
— Posso entrar? — perguntou.
Olhei para os lados.
Dois homens enormes estavam posicionados um pouco atrás dela.
Meu estômago se contraiu.
Instintivamente, puxei a blusa de tricô para baixo, cobrindo melhor a região da barriga.
Não havia praticamente nada para esconder.
Mesmo assim, meu primeiro pensamento foi proteger meu feijãozinho.
Dei um passo para trás, mantendo a mão na porta.
— Não. A senhora não pode entrar.
Helena ergueu as sobrancelhas.
Seu olhar ficou ainda mais frio.
Apertei os dedos contra a maçaneta.

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