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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 592

POV/MOON

Tentei respirar antes de abrir os olhos e senti a garganta arder.

O ar parecia não alcançar o lugar certo. Havia um incômodo no nariz, uma pressão na cabeça e uma dor que se espalhava pelo peito quando eu tentava puxar uma inspiração maior. Mexi o braço, procurando alguma coisa em que pudesse me segurar.

O vidro.

Eu precisava alcançar o vidro.

Abri os olhos e vi uma claridade que me fez fechá-los novamente. Minha mão encontrou um tecido, agarrou e puxou.

— Moon?

A voz veio perto demais.

Tentei responder, mas tossi. O esforço fez meu peito doer, e o susto aumentou quando senti alguma coisa encostada em meu rosto.

Puxei o braço.

— Amor, você está no hospital. Estou aqui.

Christian.

Virei a cabeça na direção dele, sem conseguir enxergar direito. O quarto parecia se mover cada vez que eu tentava fixar os olhos em alguma coisa.

A água tinha coberto meu nariz.

Eu lembrava disso.

Lembrava de tentar segurar o ar e não conseguir mais.

— Não…

A palavra saiu quase sem som.

Uma mulher apareceu do outro lado. Depois um homem se aproximou, dizendo meu nome e pedindo que eu olhasse para ele.

Tentei me sentar.

Uma mão me amparou antes que eu conseguisse sair do lugar.

— Ela está tentando tirar…

Ouvi Christian parar no meio da frase.

O médico falou perto de mim. Disse que eu estava sendo atendida, que precisava deixar a equipe me ajudar. Tentei acompanhá-lo, mas meu corpo continuava reagindo como se a água ainda estivesse subindo.

Eu não conseguia fazer o ar entrar do jeito que queria.

As vozes se sobrepuseram por alguns instantes. Alguém conferiu os aparelhos, outra pessoa sustentou meu braço. Christian continuou dentro do meu campo de visão, repetindo meu nome com uma voz que eu conhecia e não conseguia alcançar inteiramente.

Olhei para ele.

Seus olhos estavam vermelhos.

A última coisa que distingui foi sua mão aberta perto da minha, esperando que eu a segurasse.

Quando despertei novamente, o quarto estava mais silencioso.

Demorei a abrir os olhos. Primeiro reconheci o contato em meus dedos. Depois a textura do lençol sob a outra mão e o ar entrando, ainda desconfortável, mas sem aquele susto imediato.

Virei o rosto.

Christian estava sentado ao meu lado, inclinado para a frente.

— Christian?

Ele levantou a cabeça no mesmo instante.

— Oi, princesa.

Tentei engolir.

Minha garganta doeu.

— Você está aqui?

Ele se aproximou.

— Estou.

Olhei para a porta, para o suporte ao lado da cama e para a roupa que não era minha. Quando voltei a Christian, enxerguei os curativos em seu braço.

A lembrança veio inteira o suficiente para me fazer chorar.

— Eu não conseguia sair.

Ele segurou minha mão entre as duas.

— Eu sei.

— A porta não abria.

Minha voz saiu diferente, áspera, e uma tosse interrompeu a frase. Christian esperou, acompanhando meu rosto, e chamou a profissional que estava por perto para avisar que eu tinha despertado.

Fizeram perguntas simples. Meu nome, onde eu sentia dor, do que me lembrava. Respondi aos poucos, cansando antes de conseguir explicar tudo.

O médico me avaliou novamente e falou sobre a necessidade de continuar sob observação. Eu ainda tinha dificuldade para acompanhar explicações longas, mas entendi que não poderia levantar ou ir embora.

Quando a equipe se afastou, procurei Christian outra vez.

— Você me viu?

Seu rosto se contraiu.

Ele assentiu.

— Vi.

Lembrei da palma de sua mão do outro lado da janela.

— Eu achei que você tinha ido embora.

Christian abaixou o rosto por um instante. Quando voltou a me olhar, havia lágrimas em seus olhos.

— Eu estava tentando tirar você.

Comecei a chorar com mais força.

Ele se inclinou devagar, tomando cuidado com os equipamentos, e passou um braço por trás de meus ombros. Apoiei o rosto em seu peito sem conseguir me mover muito.

Sua camisa estava seca.

A constatação pequena e absurda me fez agarrar o tecido.

Ele tinha saído da água.

Nós dois tínhamos saído.

— Você me salvou.

Christian encostou os lábios em meus cabelos.

— Tirei você de lá, amor.

Afastei o rosto o suficiente para olhar para ele.

— Eu vi você. Eu tentei…

Uma nova tosse interrompeu minha fala. Esperei passar, com a mão dele apoiada em minhas costas, e voltei a respirar devagar.

— Não precisa contar tudo agora — murmurou.

Acariciei o curativo perto de seu punho, sem pressionar.

— Você se machucou.

Ele olhou rapidamente para o braço.

— Estão cuidados.

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