POV/CHRISTIAN
Saí da sala com Rocco ao meu lado e continuei andando até encontrar um trecho menos movimentado do corredor. Nossa avó chamou meu nome, mas eu não consegui me virar. Parei perto da parede, apoiei a mão e fiquei olhando para o chão enquanto tentava organizar uma respiração que parecia curta demais.
Lorenzo sabia da gravidez de minha mãe.
Tinha dado dinheiro a ela, seguido a própria vida e só procurado por mim depois de perder Roberto.
Eu compreendia a sequência. O que não conseguia era colocá-la ao lado das lembranças que tinha dele. Meu pai me ensinando a dirigir, conversando comigo, aparecendo quando eu precisava. Não conseguia fazer uma dessas histórias desaparecer para aceitar a outra.
— Christian.
Ergui o rosto.
Rocco estava perto, com o telefone na mão. Seus olhos continuavam vermelhos.
— Vou perguntar do vô.
Assenti e o acompanhei até o posto. A equipe informou que Heitor permaneceria internado, sob acompanhamento. Ainda precisavam observar sua evolução antes de dar uma resposta mais completa.
Meu primo fez perguntas. Eu escutei sem conseguir participar de todas.
Ao sairmos, ele parou para conferir uma mensagem e aproveitei para olhar seu rosto. Havia tantas coisas que poderia dizer que nenhuma me pareceu suficiente.
— Eu sinto muito — falei.
Rocco levantou a cabeça.
— Você não fez aquilo.
Minha garganta apertou.
— Eu sei. Mas…
Ele guardou o telefone e segurou meu braço.
— Não coloca isso em você.
Assenti, embora continuasse difícil afastar a necessidade de pedir desculpas por alguma coisa. Rocco permaneceu perto até eu conseguir me mover outra vez.
Voltamos para o quarto das meninas juntos.
Moon estava acordada. Quando me viu, sua expressão mudou e os dedos se moveram sobre o lençol, procurando minha mão antes que eu chegasse à cama.
Sentei-me e segurei os dela.
— Você demorou.
— Desculpa.
Ela examinou meu rosto. Toquei seus cabelos para ocupar a mão livre e esperei uma pergunta que não demorou.
— Aconteceu alguma coisa?
Do outro lado do quarto, Rocco conversava com Sky sobre o avô. Sakura permanecia na poltrona, acompanhando as duas.
— A conversa com minha avó foi difícil.
Moon apertou meus dedos.
— Quer me contar?
Olhei para sua boca, para o rosto que conseguia acompanhar o meu e para o movimento de seu peito. Pouco antes, eu tinha procurado uma respiração normal e não encontrado.
Não conseguiria transformar aquele momento em outra notícia capaz de assustá-la.
— Preciso entender melhor algumas coisas antes de falar.
Ela me observou durante alguns segundos.
— Só não some para fazer isso.
Baixei o rosto e beijei sua mão.
— Não vou sumir.
Aproximei a cadeira. Moon passou os dedos pelos meus cabelos quando me inclinei perto dela, e precisei fechar os olhos. Fiquei ali, ouvindo sua respiração, até a vontade de chorar diminuir o suficiente para que eu conseguisse levantar a cabeça.
Ela não tentou arrancar outra explicação.
Perguntou se eu tinha comido.
Neguei, e recebi uma expressão que conhecia bem.

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