POV/CHRISTIAN
Ravi saiu do quarto depois de perguntar se o convite para morar com Rocco continuaria valendo quando os gêmeos começassem a chorar de madrugada.
Sky respondeu que precisava de alguém disposto a dividir o trabalho. Meu primo disse que o irmão tinha acabado de se oferecer, e Ravi reclamou enquanto os dois se abraçavam novamente.
Fiquei olhando por alguns segundos antes de voltar a atenção para Moon.
Ela ainda sorria, com uma das mãos sobre a barriga.
— Ele ficou feliz.
— Ficou.
Minha noiva me observou quando puxei a cadeira.
— Você também.
Assenti.
Durante alguns minutos, tinha conseguido pensar nos bebês sem voltar imediatamente ao táxi. Imaginei Ravi tentando convencer duas crianças a concordarem com alguma ideia absurda e Rocco fingindo irritação antes de acabar participando.
Depois o quarto ficou mais quieto, e as palavras de Helena voltaram.
Eu não conseguia passar muito tempo sem lembrar que Lorenzo sabia da minha existência desde a gravidez de minha mãe.
Moon tocou meus dedos.
— Onde você foi?
Olhei para ela.
— Estou aqui.
— Seu corpo está.
Aproximei a cadeira e peguei sua mão.
Ela não estava me cobrando uma explicação completa, mas eu conhecia o efeito das minhas ausências. Durante tempo demais, tinha respondido às perguntas dela como se sempre houvesse uma urgência que justificasse adiar o restante.
— Tenho algumas coisas para resolver com meu pai — falei.
Seu sorriso diminuiu.
— Ele ainda não respondeu?
Neguei.
Moon acariciou meu polegar.
— Quando conseguir falar com ele, talvez fique menos difícil saber o que fazer.
Eu não tinha certeza disso. Ainda assim, queria ouvir a voz dele sem intermediários. Precisava que olhasse para mim quando eu perguntasse.
Inclinei-me e beijei a testa de Moon.
— Primeiro, quero tirar você daqui.
Ela olhou ao redor.
— Dessa parte eu gostei.
Nos dias seguintes, a rotina passou a depender das avaliações das equipes e das orientações para a continuidade dos cuidados. A melhora de Moon me aliviava, mas eu ainda acompanhava cada tosse com uma atenção que ela começou a repreender.
— Eu posso tossir sem você levantar?
Parei com a mão no braço da cadeira.
— Posso ficar sentado e perguntar se precisa de alguma coisa.
— Pode esperar eu terminar de tossir.
Assenti, e ela sorriu.
Gostava de vê-la encontrar disposição para implicar comigo. Não significava que o medo tinha acabado. Às vezes, Moon despertava procurando minha mão antes mesmo de abrir os olhos. Em outras, ficava quieta por alguns instantes depois de ouvir algum ruído vindo do corredor.
Eu perguntava se queria companhia e permanecia perto.
Sky também se recuperava. Conversava sobre os gêmeos, fazia perguntas e discutia com Rocco quando ele oferecia ajuda antes de saber o que ela pretendia fazer.
Aos poucos, começamos a falar da saída.
Nathan ofereceu a casa diretamente às duas. Diego também estava hospedado lá, e a proximidade facilitaria a organização enquanto continuávamos divididos entre os cuidados, a empresa e as reuniões.
— Vocês não ficam sozinhas — explicou. — E não precisamos passar o dia atravessando a cidade para resolver tudo.
Moon olhou para a irmã.
Sky assentiu antes de responder.
— Eu prefiro ficar com ela.
A decisão foi tomada pelas duas. Depois vieram as providências: pertences, acomodação, horários e apoio de enfermagem, conforme as orientações recebidas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário