Mais tarde, quando Hortensia saiu para resolver uma pendência com a equipe do Trio Docinho, a sala ficou apenas com Ema e Givaldo.
Ele fechou a porta atrás de si e foi direto ao ponto:
— Recebi uma proposta.
Ema franziu levemente a testa:
— Que tipo de proposta?
Givaldo colocou uma pasta sobre a mesa dela.
— Uma empresa de mídia de São Paulo quer investir em uma expansão conjunta com o estúdio. Em outra situação, eu recusaria sem pensar muito. Mas, considerando tudo o que está acontecendo, talvez seja útil.
Ema abriu a pasta e começou a folhear os documentos.
— Útil em que sentido?
— Em estrutura, em blindagem jurídica e em capacidade de negociação. Se a situação com Alípio evoluir para uma disputa mais séria, quanto mais sólido estiver o estúdio, melhor para nós.
Ela assentiu devagar.
Aquilo realmente fazia sentido.
Enquanto lia, Givaldo observava o rosto dela em silêncio.
Até que perguntou:
— Você saiu mais cedo do almoço hoje?
Ema ergueu os olhos de imediato.
— Sim. Por quê?
— Nada. Só perguntei porque tentei falar com você por volta daquele horário e não consegui.
Ela fechou a pasta devagar.
— Eu estava resolvendo uma coisa na rua.
Givaldo sustentou o olhar dela por alguns segundos.
— Sozinha?
Por um instante, Ema cogitou responder com a verdade parcial: que tinha saído para confirmar uma suspeita.
Mas a presença de Henrique naquela história complicava tudo.
— Sim — mentiu, por fim.
Givaldo assentiu, embora a expressão dele mostrasse que não estava totalmente convencido.
— Certo.
O silêncio que se seguiu ficou pesado.
Ema não gostou da sensação. Parecia que ambos estavam guardando coisas um do outro, cada um por um motivo diferente.
Foi ela quem quebrou o silêncio:
— E a Carina?
Givaldo a encarou, surpreso com a mudança brusca de assunto.

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