No fim da tarde, Henrique mandou mensagem.
“Já descobri quem é o homem.”
Ema respondeu quase imediatamente:
“Quem é?”
A resposta demorou pouco:
“Advogado. Nome: Marcelo Teles. Casado.”
Ema ficou olhando para a tela, sem se mexer.
Casado.
A palavra pesou mais do que ela esperava.
Henrique enviou outra mensagem logo em seguida:
“E não parece encontro de trabalho.”
Ema apertou o celular com mais força.
“Você tem certeza?”
Henrique respondeu:
“Tenho. Eles entraram juntos num prédio comercial, ficaram lá mais de uma hora e saíram pelo estacionamento interno. Meu contato conseguiu foto.”
No segundo seguinte, a imagem chegou.
Ema abriu.
A foto era nítida o suficiente: Carina e o homem saindo lado a lado, ele com a mão nas costas dela, os dois próximos demais para qualquer interpretação inocente.
Ema fechou a imagem na mesma hora.
O peito apertou.
Não porque tivesse qualquer sentimento por Carina, e muito menos por esse homem desconhecido.
Mas porque aquilo significava que Givaldo estava sendo enganado — ou, no mínimo, mantido no escuro.
E, por mais complexa que fosse a relação deles, ela sabia muito bem o gosto amargo de ser enganada.
Henrique mandou mais uma:
“Vai contar?”
Ema demorou um pouco antes de responder:
“Ainda não sei.”
Henrique:
“Se você esperar demais, pode ficar pior.”
Ela travou os dentes.
Sabia que ele tinha razão.
Mesmo assim, não era tão simples.
Minutos depois, Givaldo voltou a mandar mensagem.
“Vou sair agora. Talvez eu demore.”
Ema olhou para a tela com um humor cada vez pior.
Talvez ele estivesse saindo para resolver o quê? Para organizar a chegada de Carina? Para encontrá-la sem saber de nada?
Sentiu um impulso súbito de mandar a foto na mesma hora.
Mas conteve-se.
Digitou apenas:
“Certo.”
...
À noite, em casa, depois que as crianças já tinham jantado e estavam tomando banho com a ajuda das senhoras, Ema se sentou no sofá com o celular na mão.
Abriu e fechou a conversa com Givaldo várias vezes.
Não conseguia decidir.
Zenobia percebeu a distração dela e perguntou:
— Está tudo bem?
Ema ergueu os olhos.
— Mais ou menos.

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