Ao sair da sala de reuniões, Hortensia praticamente apareceu do nada ao lado dela.
— E então?
Ema caminhou de volta para o escritório sem parar.
— Ela admitiu.
Hortensia arregalou os olhos.
— Na cara dura?
— Com palavras bonitas, mas sim.
Hortensia fez uma careta indignada.
— Nossa, eu realmente não tenho estrutura para gente sofisticada. Traem, mentem, aparecem impecáveis, falam em “envolvimento emocional” e ainda tentam sair como vítimas.
Ema quase sorriu.
— Foi mais ou menos isso.
Assim que entrou na sala, encontrou Givaldo já esperando por ela.
Aparentemente, alguém o havia avisado que Carina estava ali.
O rosto dele estava mais fechado do que de costume.
— Ela veio?
Ema assentiu.
— Veio.
— E o que disse?
Ema fechou a porta e se apoiou de leve na mesa.
— Que a situação entre vocês já vinha ruim há muito tempo. Que se envolveu com outra pessoa. E que eu não deveria “piorar as coisas”.
A última parte fez o semblante de Givaldo se tornar ainda mais duro.
— Entendi.
Ema o observou em silêncio.
— Você vai falar com ela hoje?
— Já falei. — respondeu ele. — Ontem à noite e hoje cedo.
Ela franziu a testa.
— E?
Givaldo soltou uma risada seca.
— E ela acha que o problema não é o que fez, mas o fato de eu ter descoberto do jeito errado.
Ema fechou os olhos por um breve instante.
Soava exatamente como algo que Carina diria.
— Então acabou.
— Sim. — respondeu Givaldo. — Agora acabou de verdade.
Havia uma espécie de vazio estranho naquela frase.
Não parecia devastação.
Parecia mais o esgotamento de alguém que finalmente parou de insistir em algo que já vinha morrendo havia tempo demais.
Depois de alguns segundos, ele acrescentou:
— Talvez você estivesse certa.
Ema ergueu os olhos.
— Sobre o quê?
— Sobre não aceitar menos do que a verdade.
Ela não respondeu imediatamente.
No fundo, aquilo não era uma vitória.
Era só mais uma confirmação amarga de que certas relações apodrecem muito antes de terminarem oficialmente.

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