No dia seguinte, logo cedo, Ema levou o envelope que Givaldo lhe deixara para o estúdio.
Não abriu imediatamente.
Deixou-o sobre a mesa, ao lado do notebook, como se o simples fato de estar ali já fosse suficiente.
Passou a manhã inteira mergulhada em trabalho: aprovação de material, reuniões, revisão de contratos, ajustes de agenda do Trio Docinho.
Por algumas horas, conseguiu funcionar quase normalmente.
Até que, perto do almoço, o celular vibrou com uma notificação do condomínio.
Havia um novo visitante tentando acesso à portaria do seu prédio.
O coração dela disparou na hora.
Abriu o aplicativo.
Nome registrado: Marcos Vaz.
Ema fechou os olhos por um segundo.
Então era isso.
Já não era Alípio vindo diretamente.
Era o assistente.
O intermediário.
A estratégia mudava de forma, mas a intenção seguia a mesma.
Ela ligou imediatamente para a portaria.
— Não autorize a entrada.
— Sim, senhora.
Depois, sem pensar demais, pegou o celular e mandou mensagem para Marcos:
“Se veio a mando dele, volte.”
A resposta veio quase no mesmo instante:
“Sra. Ema, eu só vim entregar um documento.”
Ela sentiu uma irritação tão limpa quanto gelada.
“Entregue ao advogado.”
Marcos demorou um pouco antes de responder:
“É um exame.”
O sangue dela pareceu parar por um segundo.
Exame.
Ela ficou imóvel, olhando para a palavra na tela.
Marcos completou:
“O segundo teste de DNA.”
Ema se levantou tão rápido que a cadeira bateu atrás dela.

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