No fim da tarde, Helena chegou pessoalmente ao estúdio com um envelope pardo lacrado.
Trazia consigo um protocolo simples e o rosto mais sério do que de costume.
Ema, Givaldo e Helena se reuniram a portas fechadas.
O envelope foi colocado no centro da mesa como se fosse um objeto explosivo.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Foi Helena quem quebrou o silêncio:
— Recebi isso formalmente na portaria do condomínio, na presença de duas testemunhas. O assistente declarou apenas que se tratava de “resultado médico pretérito relevante à situação familiar”.
Ema passou a língua pelos lábios secos.
— Abre.
Helena a encarou por um instante.
— Tem certeza?
Ema assentiu.
— Sim.
Helena abriu o envelope com cuidado e retirou o documento protegido por uma capa transparente.
Leu os dados em silêncio por alguns segundos.
Depois ergueu os olhos para Ema.
Não precisava dizer nada.
O rosto dela já dizia.
Givaldo estendeu a mão.
— Me dá isso.
Helena entregou.
Ele passou os olhos rapidamente pelas linhas e fechou a mandíbula.
— Positivo.
A palavra caiu na sala com um peso absoluto.
Ema não pegou o documento de imediato.
Ficou olhando para ele na mão de Givaldo, como se a folha estivesse muito distante.
A confirmação, no fundo, não trazia novidade emocional.
Ela sempre soube.
Mas ter aquilo formalizado, materializado, provado...
Era como ver o passado ganhar corpo diante dela.
Helena falou com cautela:
— Isso muda o jogo de forma importante.
Ema finalmente estendeu a mão e pegou a cópia.
Leu por conta própria.

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