No dia seguinte, Henrique apareceu novamente sem avisar.
Desta vez, no estacionamento do estúdio, encostado na moto como se estivesse ali por puro acaso.
Ema desceu do carro e o viu antes mesmo de fechar a porta.
— Você tem um talento irritante para surgir nos momentos errados.
Henrique sorriu.
— E você tem um talento ainda mais irritante para achar que tudo é momento errado.
Ela fechou o carro e foi direta:
— O que você quer?
Henrique ergueu um envelope fino.
— Informação.
Ema o encarou sem pegar.
— Você pode começar dizendo com a boca.
Ele aproximou-se dois passos e baixou um pouco a voz:
— O Alípio anda diferente.
Ela soltou um bufo curto.
— Essa descrição é inútil.
— Estou falando sério. — respondeu ele, agora mais sóbrio. — Menos impulsivo por fora. Mais silencioso. Mais perigoso.
Aquilo, infelizmente, fazia sentido com o que estava acontecendo.
— Chegou à mesma conclusão sozinho ou veio confirmar comigo? — perguntou Ema.
Henrique estendeu o envelope.
— Dentro tem uma coisa que talvez te interesse mais.
Ela pegou.
Abriu ali mesmo.
E encontrou cópias de registros de entrada e saída de um prédio comercial e uma sequência curta de fotos impressas.
Não era sobre Alípio.
Era sobre Carina.
Ela aparecia entrando no mesmo prédio em datas diferentes, sempre em horários parecidos, e em duas das imagens estava com Marcelo Teles.
Ema ergueu lentamente os olhos para Henrique.
— Você continua investigando isso?
Ele deu de ombros.
— Comecei e terminei. Não gosto de deixar história pela metade.
Ela fechou o envelope devagar.
— O Givaldo já sabe o suficiente.
Henrique inclinou levemente a cabeça.
— O suficiente para saber que foi traído. Talvez. O suficiente para saber há quanto tempo e com que frequência? Não.
Ema apertou o envelope entre os dedos.
No fundo, ele tinha razão.

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