À tarde, depois de algumas horas de trabalho, Ema mandou mensagem para Givaldo:
“Preciso te entregar uma coisa.”
A resposta veio:
“Hoje à noite passo aí.”
Ela não explicou mais.
Sabia que não seria assunto para celular.
...
Quando ele chegou, as crianças ainda estavam terminando o jantar.
Givaldo cumprimentou os três, ouviu Érica dizer que tinha aprendido uma música nova e aceitou pacientemente o desenho que Kleber queria lhe mostrar.
Ema observava tudo de longe, com o envelope de Henrique já separado sobre a mesa lateral da sala.
Assim que os pequenos foram levados para o banho, ela pegou o envelope e entregou a ele sem rodeios.
— O que é isso? — perguntou Givaldo.
— Mais material sobre a Carina.
Ele a encarou por um segundo antes de abrir.
Foi lendo e vendo as fotos em silêncio.
A cada página, a expressão dele ia ficando menos surpresa e mais opaca.
Não era choque.
Era confirmação.
Quando terminou, recolocou tudo no envelope com movimentos lentos e muito controlados.
— Entendi.
Ema permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de dizer:
— Se preferir, eu não me envolvo mais nisso.
Givaldo ergueu os olhos.
— Você já fez mais do que precisava.
— Isso não responde.
Ele soltou um suspiro curto.
— Não. Não precisa se envolver mais.
Ela assentiu.
Naquele momento, a porta do corredor se abriu e Érica apareceu correndo de toalha na cabeça:
— Mamãe! A Selina falou que eu tenho que secar o cabelo parada, mas eu não quero parada!
A quebra brusca de clima foi tão absurda que os dois precisaram de um segundo para voltar ao presente.
Ema se abaixou na mesma hora.
— Vem aqui, então.

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