Dois dias depois, a equipe técnica entrou em contato.
A primeira visita seria à casa de Ema, para observação do ambiente e entrevista inicial.
A notícia a deixou mais tensa do que esperava.
Não porque a casa não fosse adequada.
Não porque houvesse algo a esconder.
Mas porque a ideia de ter sua vida doméstica observada, medida e interpretada por alguém de fora a incomodava profundamente.
Quando contou a Givaldo, ele percebeu de imediato.
— Você está encarando isso como invasão.
Ema arrumava distraidamente os brinquedos espalhados na sala.
— Porque é um pouco.
— É. — concordou ele. — Mas é invasão a nosso favor, desta vez.
Ela lançou-lhe um olhar meio irritado.
— Você está impossível nesses dias.
— Estou pragmático.
— Está insuportavelmente pragmático.
Givaldo quase sorriu.
— E ainda assim você continua me ligando.
Ela não respondeu.
Porque também era verdade.
...
No dia da visita, Ema acordou mais cedo e arrumou a casa inteira antes mesmo de perceber o que estava fazendo.
Quando se deu conta, ficou parada no meio da cozinha, com um pano de prato na mão, olhando para o fogão já limpo.
A raiva de si mesma veio rápida.
Estava transformando a casa num cenário.
Como se precisasse performar ordem e cuidado para ser validada.
Largou o pano sobre a bancada e respirou fundo.
Não.
Aquela casa já era cuidada.
Aquela rotina já existia.
Ela não precisava encenar nada.
As senhoras perceberam a tensão e, discretamente, mantiveram-se mais silenciosas que o normal.
As crianças, por outro lado, não perceberam nada.
Dário queria saber se a “visita” vinha consertar alguma coisa.
Kleber perguntou se a pessoa traria brinquedos.

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