No dia seguinte, Givaldo recebeu a equipe técnica no estúdio.
Ema não participou dessa parte, mas ele foi até a casa dela à noite para contar como tinha sido.
Sentaram-se na varanda, enquanto as crianças já dormiam e a casa se encontrava em silêncio.
— Eles fizeram perguntas bem objetivas sobre o meu papel — disse Givaldo. — Como entrei na rotina das crianças, qual a natureza do meu vínculo com elas, como construímos isso ao longo do tempo e se houve intenção de esconder o pai biológico por manipulação.
Ema ergueu os olhos imediatamente.
— E o que você respondeu a essa última?
Givaldo apoiou os antebraços nos joelhos.
— Que houve proteção. Não manipulação. E que, se alguém entende a diferença entre uma narrativa construída por conveniência e uma rotina construída por necessidade, esse alguém deveria ser justamente uma equipe técnica.
Ela sustentou o olhar dele por alguns segundos.
— Foi uma boa resposta.
— Foi a resposta verdadeira.
A frase a fez desviar o olhar para a escuridão do jardim.
Havia algo profundamente estranho em como, diante de todo aquele caos, a honestidade mais simples vinha ganhando peso.
Não a honestidade de confissão emocional.
Mas a de nomear as coisas pelo que eram.
Proteção.
Necessidade.
Vínculo.
Ausência.
Violência.
Sem enfeite.
Sem romantização.
...
No meio daquela conversa, o celular de Ema vibrou.
Ela olhou a tela.
Mensagem de Helena.
“O advogado dele peticionou pedindo celeridade na avaliação técnica. Está pressionando por cronograma de convivência.”
Ema fechou os olhos por um segundo.
— Ele já voltou a forçar.
Givaldo entendeu pela mudança no rosto dela.
— O que foi?
Ela mostrou a mensagem.

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