No dia seguinte pela manhã, o boato já tinha crescido.
Ainda sem nomes diretos, mas com detalhes suficientes para deixar Ema enjoada:
mercado publicitário,
três crianças,
empresário influente,
disputa de paternidade.
As pessoas que realmente circulavam no mesmo universo já começavam a entender de quem se tratava.
No estúdio, o clima estava mais cauteloso.
Ninguém vinha perguntar diretamente.
Mas alguns olhares demoravam mais do que o normal.
Quando Ema saiu da própria sala para ir até a sala de edição, sentiu isso no ar de imediato.
Nada explícito.
Só aquele tipo de curiosidade contida que é quase pior do que fofoca aberta.
Assim que voltou, Hortensia fechou a porta atrás dela.
— Se alguém te incomodar, eu juro que viro um animal.
Ema foi até a mesa e largou a pasta com mais força do que pretendia.
— Eles não precisam me incomodar. Basta olhar daquele jeito.
Hortensia cruzou os braços.
— Então olha de volta como se fosse matar.
Ema soltou um suspiro.
— Não é assim que se trabalha.
— Talvez não. Mas é assim que se sobrevive em empresa quando o ambiente começa a feder.
A frase a fez levantar os olhos.
Era rude.
E, ao mesmo tempo, tristemente precisa.
...
Perto do meio-dia, Myra, do financeiro, bateu à porta.
Trazia um documento simples para assinatura, mas claramente hesitava.
Depois de entregar o papel, ficou parada por um segundo a mais do que o necessário.
Ema ergueu o olhar:
— Precisa de mais alguma coisa?
Myra abriu a boca e fechou de novo.
Por fim, disse:

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