Naquela noite, Givaldo chegou com uma informação nova.
— A Carina entrou em contato com a minha secretária.
Ema, que estava na sala organizando alguns papéis, ergueu os olhos.
— Para quê?
— Quer marcar uma conversa “madura e civilizada”.
O tom com que ele repetiu a expressão deixava claro o quanto a achava ridícula.
Ema apoiou os papéis na mesa.
— E você vai?
— Ainda não sei.
Ela o observou em silêncio por um instante.
Depois respondeu com cuidado:
— Se for, não vai sozinho achando que vai sair de lá só com verdade e alívio.
Givaldo quase sorriu.
— Você tem uma visão muito pessimista das pessoas.
— Eu tenho uma visão treinada.
A resposta o fez cair em silêncio por um segundo.
Depois assentiu.
— Justo.
Foi até a cozinha pegar água e, ao voltar, comentou:
— Você sabe o que é mais irritante em tudo isso?
— O quê?
— O fato de que, enquanto uma parte da minha vida está implodindo com a Carina, a outra está sendo sugada para esse processo com você e as crianças. E, de algum jeito, eu ainda preciso parecer perfeitamente estável em todos os lugares.
Ema o encarou por alguns segundos.
Havia ali uma honestidade rara.
Não teatral.
Não autocomiserativa.
Apenas exausta.
— Bem-vindo ao clube. — disse ela, por fim.
Givaldo soltou um riso curto, sem alegria real.
— Imagino.
...
Mais tarde, quando ele já estava se despedindo para subir ao quarto de hóspedes, o celular de Ema vibrou.
Notificação da plataforma de vídeos onde o Trio Docinho tinha uma das contas mais fortes.
Ela abriu.
Havia centenas de comentários recentes em um vídeo antigo, todos com o mesmo tom:
“Quem é a mãe deles?”
“É verdade esse boato?”
“Cadê o pai biológico?”
“Ocultaram as crianças?”
O sangue dela gelou.
Até então, o boato rondava adultos e bastidores.
Agora começava a infiltrar diretamente o espaço das crianças.

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