No início da noite, Helena ligou com urgência.
— Vamos soltar a nota.
Não foi uma pergunta.
Ema, exausta, apoiou a cabeça na mão.
— Faz.
— Quero sua aprovação final no texto.
Minutos depois, a minuta chegou.
Era exatamente a mesma base trabalhada antes, mas agora com um acréscimo claro:
repúdio à exposição indevida de menores e advertência sobre responsabilização cível diante de especulações que comprometessem sua segurança e privacidade.
Ema leu devagar.
Depois leu outra vez.
Respondeu apenas:
“Pode publicar.”
A nota saiu pelos canais do estúdio e pelos representantes do Trio Docinho ainda naquela noite.
O efeito não foi mágico.
Mas ao menos marcava uma linha.
Não era mais só o boato correndo livre.
Havia posição oficial.
Havia limite.
Havia linguagem jurídica por trás.
...
Pouco depois da publicação, o celular de Givaldo começou a tocar sem parar.
Ele estava na casa de Ema naquele momento, ajudando a reorganizar alguns documentos no escritório.
Atendeu uma chamada, desligou, atendeu outra, desligou de novo.
— Imprensa? — perguntou Ema.
— E gente querendo “entender o contexto”. — respondeu ele com ironia seca.
Ela cruzou os braços.
— Você não vai falar com ninguém, né?
— Não. Nem você.
— Eu não estava pretendendo.
Ele assentiu e largou o celular sobre a mesa.
Mas, menos de um minuto depois, ele voltou a vibrar.
Desta vez, era Carina.
Givaldo olhou a tela e a silenciou sem atender.
Ema percebeu.
— Ela ainda insiste?
— Agora mais. — respondeu ele. — Depois da nota, provavelmente percebeu que a história inteira está escapando do controle dela também.
A constatação tinha uma lógica desagradável.
Quando um escândalo começa a crescer, ninguém consegue mais administrá-lo do próprio jeito.
Nem os culpados.

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