Eles ficaram sentados assim por alguns minutos. Após mexer apressadamente no computador, o médico de repente se levantou, disse que precisava ir a outro setor e saiu rapidamente com a enfermeira.
Ema franziu levemente a testa ao presenciar a cena. Imaginando que o médico e a enfermeira poderiam demorar um pouco, ela se levantou, pronta para sair e ver como a filha estava.
Mas, assim que ficou de pé, Alípio segurou seu braço novamente e a forçou a sentar-se na cadeira.
— Sente-se, eu tenho algo a dizer.
Alípio ordenou em um tom impositivo, mas brando.
Ema respondeu com frieza:
— Não temos nenhum assunto para conversar.
Alípio arqueou as sobrancelhas e reclamou com sua voz suave:
— Poxa, eu te ajudei. Como você pode ser tão fria com um bom samaritano?
Ema não respondeu, sem saber o que dizer.
Considerando o relato de Hortensia e as roupas manchadas de sangue dele, Ema teve de admitir, deixando tudo de lado, que se Érica tivesse alguma doença grave, a ação rápida dele merecia sua gratidão.
Com esse pensamento, a expressão de Ema suavizou um pouco.
Ela moveu os lábios e murmurou friamente:
— Fale.
Alguns segundos de silêncio se seguiram, e a voz profunda de Alípio soou novamente:
— Quem é o pai das crianças?
Não havia qualquer emoção no tom de Alípio. Ao contrário, ele soava tão casual que parecia estar perguntando: "Você já almoçou?"
Mas o coração de Ema disparou. Ela nunca havia se preparado para aquele tipo de pergunta, muito menos elaborado uma mentira convincente.
Ela fez uma pausa, mantendo o tom indiferente:
— Isso não é da sua conta.
Assim que Ema parou de falar, Alípio retrucou:
— Ah, é mesmo?

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