Diante da reação de Kylen, Alícia soltou uma risada amarga, como se engolisse cacos de vidro que rasgavam a sua garganta.
Ele havia matado a charada na hora.
Sem sequer se dar ao trabalho de oferecer uma explicação.
— Por quê? — murmurou ela, exigindo respostas.
Kylen observou os dedos trêmulos de Alícia apertando a barra da cama; havia um abismo indecifrável em seu olhar.
— Eu jamais me casaria com a filha do meu inimigo.
Finalmente a verdade veio à tona.
Não era muito diferente do que ela já imaginava.
Como se a resposta a tivesse deixado satisfeita, Alícia assentiu com a cabeça e virou-se para sair do quarto. Mal tocou na maçaneta, e Kylen agarrou seu pulso com firmeza.
A ponta dos dedos dele estava levemente fria.
— O médico recomendou que você descansasse.
— Eu vou embora. — Apesar do rosto inexpressivo, havia um tom maníaco na voz de Alícia. — As cinzas dos meus pais já foram atiradas ao mar. Você não pode mais me ameaçar.
O olhar dele aprofundou-se ao focar no seu rosto pálido. Em um tom grave, respondeu:
— Ninguém está te ameaçando. Você fica, eu vou embora.
Em seguida, soltou o pulso dela, girou a maçaneta e saiu sem olhar para trás.
Instantes depois, Vinicius retornou ao quarto, colocou a xícara de chá quente fumegante na mesa de cabeceira e retirou-se em silêncio.
Alícia fitou a bebida. O ventre continuava latejando intensamente; era muito raro ela sofrer com cólicas menstruais tão fortes. Para não castigar a si mesma, cedeu, pegou a xícara e tomou alguns goles.
Momentos mais tarde, o médico e uma enfermeira entraram no quarto para examiná-la. A atitude do profissional era muito respeitosa e gentil:
— Sra. Lourenço...
Alícia corrigiu-o prontamente:
— Doutor, meu sobrenome é Serra.
O médico hesitou por um segundo. Lembrando-se das ordens de Kylen, que determinara que ele deveria acatar todas as vontades daquela mulher, corrigiu-se na hora:
— Sra. Serra, como está se sentindo agora?
— Com cólicas intensas que vêm e vão.

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