Alícia balançou a cabeça:
— Não precisa. Você era uma criança naquela época. Eu já passei dos vinte e tantos, sei me cuidar sozinha.
Assim que ela terminou de falar, ouviram batidas na porta. Ambas olharam na mesma direção, quando um homem alto, de ombros largos, pernas longas e escondido por um boné e máscara, entrou no quarto.
Assustada, Hera colocou-se instintivamente à frente de Alícia para protegê-la.
— Quem é você? Saia daqui!
Alícia puxou a amiga pelo braço rapidamente e disse:
— Fica calma, é a minha melhor amiga.
— De onde você tirou uma amiga com esse porte físico? — Hera ainda estava desconfiada.
Foi só quando o homem retirou a máscara e o boné...
Hera ficou sem palavras.
O rosto dela corou na velocidade da luz, e ela gaguejou:
— Supremo!
Com os olhos arregalados, Hera encarou o grandioso Narciso em carne e osso; logo virou-se para Alícia e, apontando para ele, indagou:
— O Supremo é a sua... amiga?
— Pode ser irmão também, tanto faz. Não seja tão rígida com essas questões de gênero — brincou Alícia, explicando a situação.
Narciso pousou o boné e a máscara num canto e caminhou a passos largos até a cama. Colocou a mão na testa de Alícia e, logo depois, na sua própria, parecendo genuinamente preocupado e aflito, cena que deixou Hera completamente embasbacada.
Após se certificar de que Alícia não estava com febre, ele virou-se e sorriu para Hera:
— Você é minha fã?
Hera assentiu vigorosamente com a cabeça.
Enquanto Narciso pegava a xícara para preparar um novo chá quente, Hera sussurrou para Alícia:
— Ele é mesmo seu amigo de infância?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!