Ela virou-se e apertou a campainha ao lado da cama.
— Sra. Arantes, do que precisa? — perguntou uma enfermeira, que logo depois bateu à porta e entrou.
— Eu queria trocar de roupa, mas não consigo alcançá-la. Feche a porta primeiro, por favor, e depois pegue a roupa para mim. — disse Yolanda, lançando um olhar para a porta entreaberta do quarto.
— Claro. — assentiu a enfermeira.
— A Sra. Arantes vai trocar de roupa. — apressou-se a explicar a enfermeira, ao notar o olhar de soslaio de um dos seguranças quando se virou para fechar a porta.
O segurança não disse nada, e logo ouviu-se o clique da porta sendo fechada.
— Sra. Arantes, quer que eu a ajude a se trocar? — perguntou a enfermeira, pegando a bata hospitalar cuidadosamente dobrada sobre o sofá.
Enquanto falava, ela fechou as cortinas ao redor da cama.
— Sim, por favor. Muito obrigada. — respondeu Yolanda com um sorriso amável.
Os seguranças aguardaram na porta por cerca de cinco minutos até que ela se abrisse novamente. A enfermeira saiu do quarto. Através da pequena janela de vidro da porta, eles viram Yolanda deitada na cama, dormindo.
...
Alguns dias atrás, Alícia sofreu com fortes cólicas. Narciso insistiu de todas as formas que ela tirasse uma licença, e só permitiu que ela voltasse a trabalhar quando o ciclo terminou e ela recuperou a boa cor no rosto.
— Vá para o trabalho se der. Se não der, peça licença de novo, ouviu bem? — avisou Narciso, recostado no sofá se recuperando de seus ferimentos, antes de ela sair.
Narciso ainda não sabia que ela havia apresentado a carta de demissão e que já não tinha muito o que fazer no trabalho. Por isso foi fácil conseguir a folga; em cerca de dez dias, os trâmites da rescisão estariam concluídos.
— Está bem, eu já entendi. Cuide-se também. O Nelso não mandou você se recuperar em casa? E você, com toda a sua pose de filhinho de papai, insiste em se espremer nesse meu apartamento minúsculo. — queixou-se Alícia enquanto calçava os sapatos.
— Não está usando pouca roupa para esse frio todo? — Narciso franziu os lábios ao observar a roupa que ela vestia, achando o decote da blusa de tricô um tanto baixo.
— Hoje faz vinte graus. Você está com frio?
— Volte aqui! — chamou Narciso, vendo que ela já estava prestes a sair.
— O que foi? — Alícia pensou que ele estivesse se sentindo mal. O assistente dele também estava ali, mas como ele era o rei da casa, ela tinha que ceder.
Ela caminhou até o lado de Narciso.

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