— Alícia. — Aquele sorriso carregava um toque de constrangimento e frustração. Ela respirou fundo e segurou a mão de Alícia com força.
Sob a máscara caída, revelou-se um rosto muito familiar para Alícia.
Ela ficou atônita por um instante.
— Sra. Sylvia!
— Sra. Sylvia, a senhora está bem? Bateu em alguma parte do corpo? — Apressou-se a segurar os braços de Sylvia Pereira com mais firmeza, enquanto um frio na barriga tomava conta dela após o susto.
Com a outra mão amparando as costas de Sylvia, ajudou-a a levantar do chão e sacudiu a poeira da sua saia.
— Foi só uma batida no joelho. — disse Sylvia sibilando de dor e balançando a cabeça.
— Deixe-me ver.
Alícia agachou-se e ergueu delicadamente a bainha da saia até os joelhos; de fato, havia um círculo avermelhado no local.
— Está tudo bem. Como você dirigia devagar, a batida não foi grave. — disse Sylvia ao olhar para baixo.
— Vou levá-la ao hospital para uma avaliação. — disse Alícia, abrindo a porta do carona.
— Não precisa. É só um arranhão. Para que ir ao hospital? Eu odeio aquele cheiro de hospital. — Porém, Sylvia segurou-lhe a mão.
— Tem certeza de que não precisa ir?
— Absoluta. — assegurou Sylvia para acalmá-la. — Não foi nada, juro. Te assustei, não foi?
Ela ajeitou os cabelos de Alícia que haviam caído sobre o ombro quando esta abaixou a cabeça.
— O importante é que a senhora está bem. — Alícia olhou para trás, na direção dos prédios residenciais, dando voz à sua dúvida: — O que a senhora faz por aqui?
Eram apenas oito da manhã e a mansão onde Sylvia morava ficava bem longe dali. Além disso, ela estava maquiada; contando com o tempo para se arrumar, devia ter acordado depois das seis.
Alícia lembrava-se de que Sylvia não gostava de acordar cedo.
— Vim visitar um velho amigo que não está muito bem de saúde. — disse Sylvia, caminhando a passos lentos enquanto era apoiada por Alícia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!