O despertador tocou apenas uma vez e ela abriu os olhos. Com movimentos mecânicos, pegou o celular na cabeceira, abriu o discador e digitou o número de Kylen, que já sabia de cor.
Assim como na noite anterior, o telefone tocou até cair a ligação, sem resposta.
Ela discou novamente para o número de Vinicius.
Desta vez, a chamada foi atendida.
Com a voz rouca, Alícia foi direta:
— Quero falar com o Kylen.
— O Diretor Lourenço está em uma reunião muito importante agora.
— Eu quero falar com o Kylen — repetiu Alícia.
Seu tom era assustadoramente calmo, o que fez Vinicius franzir a testa do outro lado da linha.
Alícia sentou-se na beira da cama, curvada, ouvindo os passos do outro lado do telefone. Parecia ser um lugar amplo, e logo o vento uivava do outro lado da linha.
— O que foi?
A voz fria e distante do homem soou.
Lágrimas brotaram nos olhos raiados de sangue de Alícia. Quanto ódio ela sentia!
Ela respirou fundo, mas não conseguiu evitar que sua voz tremesse.
— Você quer ficar com a Yolanda? Eu realizo seu desejo. Depois do divórcio, não quero nada, exceto a casa da Mansão Ocidental. Eu quero a minha casa!
A voz da mulher, contendo o choro, começou lenta e terminou com a respiração acelerada, perdendo o controle entre dentes cerrados.
Kylen estava com metade do corpo na sombra. Ele tirou os óculos e, semicerrando os olhos, observou as nuvens cinza-escuro que se agitavam no horizonte. Seus sapatos de couro pisaram na fina camada de neve do terraço, emitindo um leve rangido.
Após um longo silêncio, ele soltou um riso de escárnio.
— Nem em sonho.
O som de ocupado ecoou no celular, ele havia desligado.

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