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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 39

Alícia sabia que Lucas estava preocupado.

Ela fora ferida recentemente e seus ferimentos ainda não estavam totalmente curados, além disso, a perfuração no tímpano ainda não sarara.

Mas aqueles machucados não eram nada para ela.

As feridas do corpo podiam ser tratadas, mas a dor mais excruciante, aquela para a qual não havia remédio, era a do seu coração, ferido direta e indiretamente por Kylen.

Ela precisava de algo para fazer, para não ficar pensando bobagens.

Saindo do elevador, Alícia entrou no carro de reportagem e seguiu para a fábrica química na periferia.

Era o horário de pico do fim da tarde. O trânsito estava intenso. Depois de esperar em vários semáforos, o carro finalmente pegou a estrada para a zona suburbana.

De longe, ouvia-se o lamento longo das sirenes dos bombeiros. O fogo subia aos céus, iluminando e tingindo de vermelho grande parte do horizonte.

Alícia franziu a testa.

Havia várias indústrias químicas naquela região. Embora o descarte de resíduos fosse rigorosamente controlado, o processo de produção envolvia matérias-primas que, submetidas a altas temperaturas, liberavam substâncias tóxicas.

Se esses materiais reagissem quimicamente com a explosão e o calor, a liberação de toxinas afetaria diretamente os moradores vizinhos e os bombeiros que atuavam no resgate.

Ela torcia para que o acidente fosse controlado o mais rápido possível.

O carro de reportagem parou em uma área segura.

Alícia colocou seu crachá e correu em direção à linha de isolamento fora da fábrica.

Assim que se aproximou, sentiu as ondas de calor, o ar ao redor estava distorcido pelas chamas.

Após mostrar sua credencial aos bombeiros, ela localizou o responsável pela fábrica para inquirir sobre a situação.

De posse das informações básicas, Alícia, usando sua máscara preta, segurou o microfone diante da câmera:

— ...Os operários dos galpões atingidos já foram todos evacuados. Ainda não há informações confirmadas sobre vítimas... O corpo de bombeiros está empenhado no combate às chamas...

De repente, um estrondo ensurdecedor, como um terremoto, fez o chão tremer sob os pés de Alícia.

Ela olhou para a pessoa à sua frente, incrédula.

Era ele...

Cenas de sua infância involuntariamente surgiram em sua mente.

O ano em que ela chegara à Família Lourenço fora o ano em que vivera com mais cautela.

Na escola de elite, muitos sabiam que seus pais haviam morrido e que ela era uma coitada que vivia de favor. Alguns faziam bullying escondido, outros abertamente. Ela apanhava com frequência, as partes cobertas pelas roupas estavam sempre cheias de hematomas. Naquela época, ela aprendeu a suportar a dor em silêncio para não causar problemas à Família Lourenço.

Mas o silêncio só trouxe mais crueldade.

Eles a empurraram para dentro de um banheiro da escola e trancaram a porta. Ela gritou até ficar rouca, mas ninguém veio salvá-la.

Naquela tarde, a escola pegou fogo. As chamas se alastraram até o banheiro, e ela estava trancada na cabine, justamente no canto onde a fumaça se acumulava.

Quando caiu no chão, quase viu seus pais estendendo as mãos para ela, chamando seu nome com ternura.

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