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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 475

— Com uma mãe tão linda, esse bebezinho vai ser muito bonito no futuro.

— O ultrassom morfológico é assim mesmo. Olha ele fazendo biquinho, não é fofo? Os traços do rostinho lembram os da mãe.

— Falta pouco para o fim da gestação, devem estar ansiosos para conhecer o bebê, certo?

Ela foi se acalmando, as lágrimas caindo silenciosamente. Observava o vídeo em silêncio, sua mão erguida tocando a tela com rigidez.

A roupinha que a criança vestia...

A ponta de seus dedos tremeu intensamente, em sintonia com o seu coração.

Aquele adorável desenho de ursinho.

Era uma das roupinhas que ela havia comprado!

Ela finalmente se lembrou daqueles dois ou três meses sombrios. Antes de o bebê nascer, ela já havia comprado inúmeras roupinhas. Depois da indução do parto, como forma de fugir da realidade, ela continuou comprando mais.

Do tamanho recém-nascido até o tamanho dois anos.

Roupas para a primavera, verão, outono e inverno. Ela comprou caixas e mais caixas, o suficiente para ele usar até os três anos de idade.

Tudo havia sido guardado em caixas por Kylen.

Ela se lembrou.

Aquelas caixas estavam no sótão do prédio principal do Jardim Sombrio. Houve várias noites em que ela se sentava lá, dobrando e organizando as roupinhas repetidas vezes enquanto esperava Kylen voltar para casa.

— Você está mentindo para mim, não está... Kylen, você está mentindo... — a ponta de seu dedo tremia enquanto tocava o rostinho no vídeo. Sentia o peito doer e formigar, a respiração presa na garganta.

Ele estava sorrindo.

Seus olhos se apertavam em meia-lua quando ele sorria.

Era muito parecido com ela quando era pequena.

Era mesmo o seu Lan.

— Eu não mentiria para você sobre o nosso filho. Ele é o nosso Lan — enquanto ela assistia ao vídeo da criança chorando sem parar, os olhos de Kylen também estavam vermelhos; ele envolveu os ombros dela e disse em voz baixa.

— Seja boazinha, não se machuque. Eu vou te levar para vê-lo.

— Está bem — Alícia ria e chorava ao mesmo tempo. Ela olhou para Kylen, depois para Narciso, perdida e com os olhos transbordando de dor e amor. Abriu a boca e, somente quando as lágrimas voltaram a escorrer, conseguiu murmurar.

O elevador chegou ao último andar, na área de terapia intensiva.

Kylen segurou a mão de Alícia e a guiou para lavar as mãos, se higienizar e vestir a roupa de proteção estéril. Ele cuidou de cada etapa pessoalmente, e ela colaborou de forma muito dócil durante todo o processo.

A incubadora de isolamento não permitia muitas pessoas de uma só vez, então Narciso ficou esperando do lado de fora.

No elevador, Kylen explicou que o corpo de Lan era frágil, que ele estava doente e precisava de um transplante de medula óssea. Felizmente, a medula de Julian Gonçalo era compatível.

Descobriu-se que, sem que soubessem, Kylen havia aproveitado os exames de rotina deles para verificar secretamente seus tipos sanguíneos e compatibilidade.

Em um instante, Narciso também entendeu por que Kylen chorou no dia em que atirou em Yolanda Arantes, e compreendeu qual era o verdadeiro papel de Yolanda.

Tudo fazia sentido agora.

Tudo tinha sido por Lan.

A área de isolamento ficava além de pesadas portas duplas. Kylen abraçava os ombros de Alícia, e ela, que antes mal conseguia ficar de pé, agora avançava passo a passo em direção ao interior.

A criança que chorava, com lágrimas ainda no canto dos olhos, claramente teve sua atenção atraída pelos visitantes inesperados.

— Pa... pa... — a voz infantil e doce estava um pouco rouca por causa do choro.

Fazendo biquinho, ele olhou para a pessoa ao lado de Kylen.

Mas, no segundo seguinte, o desconforto em seu corpinho o fez chorar novamente. Aqueles olhos grandes e escuros, marejados de lágrimas, encaravam Alícia com desamparo.

Alícia se aproximou passo a passo. Suas pernas pareciam de chumbo, quase a fazendo cair no chão.

Ela estendeu a mão, mas logo recuou. Ao ver os hematomas causados pelas agulhas nas costas das mãozinhas dele, não teve coragem de tocá-lo. Seu coração doía tanto que sua visão escureceu por instantes.

O pequeno continuava chorando, observando, através das lágrimas, a mulher com o rosto banhado em pranto por trás da viseira do traje estéril.

— Meu bebê...

Alícia ergueu a mão, sem ousar tocá-lo, mas o menino em prantos, de forma surpreendente, estendeu os bracinhos para ela no instante seguinte.

Seu coração falhou uma batida. Alícia abraçou a criança com firmeza.

Aquele pedaço vazio no seu coração foi preenchido de imediato. Ela segurou o bebê macio em seus braços, pressionando-o contra o peito, o mais perto possível do seu coração, enquanto abaixava a cabeça para encostar na cabecinha dele.

Ele era tão pequeno, tão frágil, e seu corpinho ardia em febre.

O coração de Alícia se partiu como se fosse cortado por uma faca.

Finalmente...

— Meu amor, é a mamãe — ela acariciou os cabelos macios do menino, com a garganta doendo como se estivesse espetada por milhares de agulhas, e chorou.

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