Ao ver o rosto de Clara ficar completamente branco, Enrique continuou a encará-la com profundo interesse. A mão que acariciava o rosto dela desceu lentamente para roçar seus lábios macios.
— Deixe-me adivinhar o que ele acabou de te dizer no telefone.
Quanto mais intenso se tornava o ódio nos olhos de Clara, maior ficava o sorriso desenhado nos lábios de Enrique.
— Ele disse que prefere morrer a se separar de você? Que com certeza vai chamar a polícia e encontrar um jeito de fugir para longe com você?
À medida que ele falava, os lábios de Clara perdiam a cor. Ela não pronunciou uma única palavra, mas a sua expressão já dizia tudo.
Enrique deu uma risadinha suave.
— Pelo visto, eu acertei tudo.
O polegar dele pressionava o lábio inferior da jovem. Contudo, aqueles lábios suaves estavam fortemente cerrados. Seus dentes mordiam a parte interna com tanta força que o local começava a ficar branco; não restava a menor dúvida de que, se continuasse daquele jeito, ela acabaria sangrando a própria boca.
Enrique suspirou e, de repente, puxou a mão de volta, abaixando a cabeça para capturar a boca dela com força esmagadora.
— Hum!
Clara não esperava que Enrique fosse capaz de fazer algo tão grotesco naquele lugar. Seu corpo enrijeceu por um segundo antes de começar a se debater violentamente.
Embora já fosse muito tarde, ainda havia uma quantidade considerável de pessoas trabalhando no instituto. Mesmo que o corredor estivesse vazio no momento e que os pesquisadores estivessem analisando dados importantes em suas salas, não havia garantia nenhuma de que alguém não passaria por ali.
Todos no instituto sabiam que ela era a filha mais velha da Família Cardoso, a irmã de Enrique. Desde a infância, os Cardoso a haviam protegido muito bem. Na alta sociedade, aqueles que sabiam que ela era adotada não tinham coragem de espalhar fofocas, e quase ninguém de fora sabia que não havia laços de sangue entre ela e Enrique.
Por quantos anos Enrique vinha a assediando? Há quanto tempo ele a encurralava naquele canto sombrio, arrastando-a para a lama?
Uma onda insuportável de humilhação e indignação inundou o seu peito. Aproveitando a brecha em que a língua dele invadiu a sua boca, ela mordeu violentamente a ponta da língua dele.
— Argh! — Enrique recuou bruscamente, com dor.
*Plaft!*

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...