Nenhum membro da equipe médica se aproximou para interromper a breve despedida da família.
Com exceção de Rita Ramos, que havia chegado há poucos dias, todos os presentes acompanhavam Alan desde o seu nascimento, cultivando um profundo afeto pela criança.
Não se podia dizer que ele era a criança mais corajosa do mundo, pois existiam milhares de outras em sofrimento que sequer chegaram a viver tanto.
Contudo, Alan era um menino que eles haviam visto crescer dia após dia, e o amor que nutriam por ele rivalizava com o amor que sentiam pelos próprios filhos.
Eles testemunhavam toda a dor que o pequeno suportava e também sentiam o coração doer por ele.
Se eles, como estranhos, sentiam tanto pesar, quanto mais os próprios pais.
Antes de presenciarem o profundo amor materno de Alícia, eles mal podiam expressar em palavras a magnitude do amor paterno de Kylen. Era algo que os chocava e comovia. Eles entendiam, mais do que ninguém, o quão difícil era a jornada daquela família.
Alan pareceu compreender as palavras de Alícia. Sua pequena palma roçava suavemente o rosto dela através do traje de proteção, enquanto ele se esforçava para erguer a cabecinha, desejando desesperadamente tocar a mãe.
Alícia, reagindo prontamente, abaixou a cabeça até tocar a testa do menino, e ouviu a sua doce e inocente voz murmurar:
— Mamãe... Papai...
Ele virou o rostinho e estendeu a mãozinha.
Kylen envolveu os dedinhos finos dele na palma de sua mão grande e gentil. Olhando nos olhos da criança, sussurrou:
— O papai e a mamãe vão esperar juntos por você. E há muitas outras pessoas esperando que você se recupere e fique em paz.
Com a palma no rosto da mãe e os dedinhos envoltos na mão do pai, duas temperaturas distintas formavam um único fluxo de carinho que viajava daquela mãozinha frágil até o seu coração. Alan, compreendendo à sua própria maneira, sorria com doçura para os dois.
Alícia então revelou um objeto que já havia sido desinfetado: um Nó de artesão vermelho, selado dentro de uma embalagem plástica estéril.
Ela o exibiu para a criança e explicou:
— Este foi o seu tio que aprendeu a fazer. Ele me disse que esse tipo se chama Nó da Sorte e vai proteger o bebê para que tudo fique bem.
Narciso Simões havia sofrido horrores com a própria falta de jeito, mas finalmente conseguira confeccionar a peça. Assim que soube da iminência do tratamento, ele tomou um voo direto para o Santuário da Graça Divina. Lá, nos ares, trançou o amuleto, para depois prostrar-se perante a Capela do Divino Curador.
Contavam as histórias que a Capela do Divino Curador do Santuário da Graça Divina era a que operava os milagres mais certeiros.
Ele passara a noite inteira rezando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...