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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 474

Kylen Lourenço sentiu nitidamente o corpo em seus braços enrijecer.

Mas Alícia Serra, de repente, com uma força desconhecida, se desvencilhou de seus braços e o empurrou com toda a sua força.

— Kylen!

Ela ofegava, erguendo o olhar para ele. Seus olhos, antes vazios, agora transbordavam de ódio devido às palavras de Kylen, um ódio sem reservas direcionado a ele.

As veias vermelhas que se espalhavam por seus olhos eram assustadoras.

— Como você teve coragem...

— Como você teve coragem de me enganar sobre o nosso filho — ela franziu o cenho em agonia, chorando por entre os dentes cerrados.

A dor a engoliu como a maré do mar. Ela agarrou o peito com força, curvando as costas, mas mesmo encolhida assim, a dor era insuportável.

Se Kylen não a tivesse segurado pelos ombros novamente, ela teria caído da cama.

Mas ela não se importava; sua mente foi inundada por flashes de mais de um ano atrás, de quando esteve deitada na mesa de cirurgia.

Aquelas memórias turvas, por algum motivo, de repente se tornaram vívidas, como se tivessem acontecido ontem, cristalinas em sua mente.

Ela se lembrou da sensação do ventre se esvaziando, do coração também vazio. O bebê havia sido levado pelos médicos. Ela havia chorado e implorado para vê-lo apenas uma vez, mas ninguém atendeu ao seu pedido.

Como o coração do bebê já havia parado no ventre, os médicos não permitiram para poupá-la de mais sofrimento, temendo que ela não conseguisse superar a dor.

Ela só queria olhar para ele uma vez, sabendo que nunca mais teria essa chance nesta vida. Um pedido tão pequeno, mas eles se recusaram.

Seu filho, seu Lan, havia partido há mais de um ano.

Como Kylen pôde ser tão cruel a ponto de enganá-la!

— Kylen, a essa altura você ainda... — Narciso Simões levou vários segundos para processar o que estava acontecendo, e exclamou ansioso e furioso.

Antes que ele pudesse terminar, viu Alícia afastar as mãos de Kylen de seus ombros e correr aos tropeços em direção à porta do quarto.

O estado emocional dela estava completamente instável; era capaz de cometer um ato tão extremo quanto cortar os próprios pulsos. Se fugisse agora, as consequências seriam inimagináveis.

Acreditando que o filho havia sofrido em seu lugar, ela não tinha mais vontade de viver.

— Alícia, me escuta! — Kylen, ignorando a própria dor, correu e a abraçou com força. Sem se importar com a resistência dela, ele a virou para si, pressionando a nuca dela para que seu rosto se encostasse em seu peito, beijando seus cabelos e dizendo com voz grave: — Ele está no hospital, eu vou te levar para vê-lo.

— Acredite em mim.

Kylen lançou um olhar rápido para Vinicius Costa.

Compreendendo a mensagem, Vinicius tirou o celular do bolso.

Ele tinha certeza de que não era falso.

Ele olhou incrédulo para Kylen e, em seguida, para o ambiente onde a criança estava no vídeo: tantos equipamentos médicos e uma incubadora de isolamento.

Era preciso ter um corpo extremamente frágil para viver em um lugar assim.

Por um instante, o coração de Narciso doeu tanto que ele perdeu a voz.

Se ele, sendo apenas o tio, estava se sentindo daquela forma, como Alícia suportaria encarar aquilo?

Os dedos de Kylen, que seguravam o celular, ficaram brancos de tensão e tremiam. Com a outra mão, ele abraçava Alícia, que estava à beira de um colapso. Ele precisava dar a ela tempo para absorver o choque. Caso a levasse repentinamente até Lan e ela visse a fragilidade do menino, com um cateter inserido em uma mãozinha tão pequena, o estado emocional dela despencaria de vez e sua saúde desmoronaria.

— Mais de um ano atrás, ele quase não sobreviveu. Demorou muito para aprender a engolir e tomar leite sozinho. Mas ele vai crescer aos poucos — ele respirou fundo e a confortou com a voz rouca.

— Ele agora pesa oito quilos, não chega a setenta centímetros de altura e veste roupinhas para bebês de nove meses. Ele sabe que se chama Lan. Eu dei a ele o nome de Alan, mas se você não gostar, nós mudamos. Você decide.

Não se sabe se foram suas palavras que acalmaram Alícia ou o vídeo que ainda tocava na tela do celular em sua visão periférica, mas aquela pequena figura parecia ter algum tipo de magia que a atraía.

Um laço invisível fez com que ela sentisse como se pudesse ouvir os batimentos cardíacos rápidos de muito tempo atrás, junto com as lembranças do pré-natal, nas quais ela não tinha coragem de pensar há mais de um ano.

— Estes são os batimentos do bebê, bem mais rápidos do que os de um adulto.

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