Carolina baixou a cabeça, tomada pela culpa.
— Na hora... Eu só pensei que a gente cresceu junto. Que somos amigos de infância.
Henrique soltou uma risada fria e a interrompeu. A decepção era nítida em sua voz.
— Por você, eu fui capaz de cortar laços com a Lílian. E você? Não consegue fazer o mesmo por mim? Não consegue se afastar dele?
Carolina não teve coragem de encará-lo.
— Se, dessa vez, também tiver sido de propósito... Eu não vou perdoar de novo.
— E se dessa vez tiver sido só coincidência? — Perguntou ele. — Você vai apagar tudo o que ele fez antes? Vai mesmo? Ou... Você ainda ama ele?
As palavras saíram leves, quase descuidadas. Mas cortaram como facas. No instante em que deixaram sua boca, foi como se lhe rasgassem o próprio peito. A dor foi tão intensa que seus olhos começaram a ficar vermelhos.
Carolina congelou. Assustada, ergueu o rosto e fitou Henrique.
No instante em que viu seus olhos marejados, vermelhos daquele jeito, ela entendeu.
Tinha ferido Henrique mais uma vez.
Carolina sempre soubera que o amor de Henrique era sincero, inteiro e profundo.
Quando amava, ele se entregava por completo. Confiava sem reservas. Não importava o que ela dissesse: Henrique escolhia acreditar nela.
Era justamente por isso que, mesmo sem se explicar, ela nunca teve medo de que Henrique a entendesse mal por causa de Marcelo.
Mas ela não podia continuar se apoiando num amor tão verdadeiro, tão profundo, para machucá-lo repetidas vezes.
Não suportava mais aquilo.
Agora que o caso de seu pai estava prestes a ser reaberto, agora que finalmente poderia ficar com Henrique para sempre, sem medo, ela não queria mais esconder o que sentia.
Não queria mais.
— Não. Eu não amo o Marcelo. Nunca amei. Desde pequena, nunca olhei pra ele desse jeito. Pra mim, ele sempre foi só isso... Meu amigo de infância.
Aquelas palavras arrancaram um sorriso de Henrique. Mas era um sorriso mais amargo que fel.
— Carolina... Você esqueceu por que a gente terminou cinco anos atrás?
— Naquela época, eu também não amava o Marcelo.
Ao se lembrar da cena do término, o peito de Carolina se apertou de um jeito quase insuportável. Ela puxou o ar com dificuldade, baixou o olhar e murmurou:
— A gente cresceu junto... Se eu realmente gostasse dele, nunca teria ficado quatro anos com você. Tudo o que eu disse quando terminamos... Tudo aquilo que te machucou... Era mentira. Eu também sofri muito.
Porque, se ele descobrisse, certamente iria se envolver.
E, no momento em que se envolvesse, seu futuro estaria em risco.
Por isso, ela decidiu carregar tudo sozinha, até o dia em que seu pai pudesse sair da prisão com o nome limpo. Só então explicaria tudo a ele.
Seu silêncio, porém, acabou alimentando as suposições de Henrique. Incapaz de esperar mais, ele perguntou, ansioso:
— Foi por dinheiro?
Carolina se surpreendeu por um instante.
A dor no olhar de Henrique era evidente.
— Você não ama o Marcelo... Mas queria mais dinheiro, uma vida melhor... Era isso?
Carolina soltou o ar, sentindo um estranho alívio.
— Se é assim que você quer entender... Tudo bem. De qualquer forma, eu nunca amei o Marcelo. O único homem que eu já amei, do começo ao fim, foi você, Henrique.
Com os olhos vermelhos, Henrique a puxou de uma vez para si e a abraçou com força, como se tivesse medo de soltá-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...