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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 209

Henrique hesitou por um instante.

Mas, antes que respondesse, Lívia se antecipou:

— É simples: se meu irmão perder, chama a Carol de irmã mais velha. Se a Carol perder, chama ele de mestre. Qual é o problema? Tem alguma objeção?

A expressão de Daniela mudou na mesma hora.

Ela baixou o olhar para a pilha já reduzida de fichas diante de Henrique e entendeu tudo.

Do jeito que o jogo estava indo, havia uma grande chance de ele realmente perder para Carolina naquela noite.

Na superfície, era só uma brincadeira.

Mas Daniela sabia: era justamente nesse tipo de situação que se via se um homem sabia ou não se posicionar diante da própria noiva.

Ainda mais com a ex sentada ali, na mesma mesa.

Ela não pretendia deixar aquela oportunidade passar.

Ergueu os olhos para Henrique. O sorriso continuava no rosto, mas a pergunta veio carregada de intenção:

— Se eu não gostar dessa punição… Você para de jogar?

O ambiente congelou.

Todos perceberam imediatamente: aquilo não era só uma opinião.

Era pressão.

Ela estava obrigando Henrique a escolher.

Entre os amigos… Ou ela.

Aquilo já não tinha nada a ver com jogo.

Era um teste.

Por alguns segundos, ninguém disse nada.

Henrique olhou para Daniela. O cenho se fechou aos poucos, o olhar ficando mais fundo, mais escuro.

Então respondeu, com calma:

— Se você realmente não quiser… Eu paro.

Daniela sorriu.

Satisfeita.

Havia orgulho ali e um alívio que ela não conseguiu esconder.

Pelo menos por enquanto, ele ainda estava disposto a colocá-la em primeiro lugar.

Lívia explodiu.

Levantou-se na hora, irritada:

— Ah, não, Rick. Agora que você está prestes a perder, resolve sair do jogo?

Daniela imediatamente assumiu um ar compreensivo, quase impecável.

— Lívia, não fica assim. Eu só estava brincando com ele. Claro que vocês podem continuar. Não tenho problema nenhum com isso.

Então se virou para Henrique, apoiando levemente as mãos no braço dele, num gesto suave:

— Continua, Rick. Eu só queria ver como você reagiria.

Henrique não respondeu.

Lívia voltou a se sentar, ainda irritada, mordendo o lábio para se conter.

Carolina manteve a cabeça baixa e respirou fundo.

Algo pesava no peito. Apertado. Difícil de ignorar.

Ela não disse nada.

Apenas organizou as cartas na mão e sinalizou, em silêncio, que a rodada continuava.

Dessa vez, suas cartas eram excelentes.

Boas o suficiente para garantir a vitória, se jogasse como vinha jogando.

Cláudio, atrás dela, lançou um olhar rápido e sorriu:

— Essa mão está perfeita… Dá pra esmagar todo mundo fácil...

Ele não terminou a frase.

Porque Carolina apenas pagou a aposta mínima.

Cláudio travou.

Aquilo não fazia sentido.

Lívia também franziu a testa.

Era uma mão forte. Pelo estilo agressivo dela, o esperado seria pressionar até o fim.

Mas Carolina fez o oposto.

Quando Henrique aumentou, ela apenas pagou.

E quando teve a chance de reagir, colocou as fichas na mesa e disse, com calma:

— Estou fora.

Duas palavras.

Mão após mão, ele recuperava terreno.

Renato ainda entrou em algumas jogadas, mas, percebendo o que Carolina estava fazendo, recuou.

Parou de disputar de verdade.

Foi então que Lívia entendeu.

Cruzou os braços, recostou-se na cadeira e cerrou os dentes, irritada. Depois lançou um olhar frio para Daniela.

Era óbvio.

Henrique estava protegendo o orgulho da noiva.

E Carolina… Também.

No fim, quem estragou o clima da mesa foi justamente quem continuava posando de elegante.

Quando a última carta virou, o resultado ficou claro.

Henrique venceu.

Sem margem para dúvida.

Carolina não só devolveu a maior parte das fichas, como praticamente voltou ao ponto inicial.

Por alguns segundos, ninguém falou.

Todos tinham visto.

Sabiam exatamente o que tinha acontecido.

Carolina, por fim, soltou o ar devagar. Um leve sorriso apareceu em seus lábios.

Empurrou as fichas na direção de Henrique.

Separou uma pequena parte e deslizou para Renato.

— Eu perdi. — Disse, baixa.

Fez uma pausa.

Então levantou o rosto.

Havia resignação no sorriso.

Mas também um brilho travesso.

— Mas acho que, desta vez, vou me fazer de desentendida.

Renato riu, sem graça, levantando as mãos.

— Na verdade… Se tivesse sido uma mão jogada pra valer, quem ganhava era você. — Ele olhou para ela. A voz saiu mais suave, quase rendida. — Irmã mais velha.

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