De repente, duas mãos fortes agarraram seus braços e a puxaram de volta antes que pudesse se afastar mais, mantendo-a firme no lugar e contendo um pouco do pânico que a dominava.
Carolina estava pálida.
Baixou a cabeça por reflexo, tentando se desvencilhar, e começou a se debater para se soltar de quem a segurava.
— Carolina, o que houve?
A voz tensa de Henrique chegou até ela.
Naquele instante, o coração de Carolina, ainda tomado pelo terror, finalmente pareceu se acalmar. Ofegante, ela ergueu os olhos devagar para encará-lo.
Os olhos ainda carregavam o susto.
Henrique continuava segurando seus braços com firmeza. Havia preocupação evidente em seu olhar enquanto a examinava de cima a baixo.
— Por que você está tão pálida? Do que está com tanto medo?
Carolina virou a cabeça para trás.
Não havia ninguém.
Então voltou a olhar para Henrique e, aos poucos, foi recuperando o controle.
— Acho que tem alguém me seguindo... Já aconteceu várias vezes. Mas eu nunca consigo ver quem é.
— Não tenha medo. Eu estou aqui.
Carolina assentiu de leve, sentindo-se um pouco mais segura.
Henrique baixou os olhos para o lámen no chão. O caldo tinha vazado dentro da sacola e se espalhado pela calçada. O tom dele ficou mais pesado.
— Carolina... Você nem jantou ainda?
Só então ela percebeu.
Apressada, agachou-se para pegar a sacola.
Mas o caldo e o macarrão já tinham se espalhado ali dentro, e suas mãos acabaram sujas de sopa.
Henrique tirou um maço de lenços do bolso, se agachou e começou a limpar o líquido derramado no chão. Depois, jogou os papéis sujos na lixeira.
Em seguida, pegou a sacola das mãos dela e também a descartou.
Carolina sentiu um leve pesar.
— Ainda dava pra comer...
— Caiu no chão. Não come. — Respondeu ele, direto.
Henrique puxou outro lenço, segurou a mão dela e começou a limpar seus dedos.
O coração de Carolina vacilou por um instante.
Ela retirou a mão rapidamente.
Com Henrique ali, o medo já não parecia tão grande.
Ela abriu a porta e se sentou no banco do passageiro, afivelando o cinto.
Nesse momento, Henrique lhe estendeu uma barra de chocolate.
— Não tenho mais nada no carro pra você comer. Come isso por enquanto.
A luz amarelada e suave do interior do carro caiu sobre os dedos longos e bem desenhados dele. Por um instante, a embalagem escura do chocolate pareceu aquecer o peito de Carolina como um pequeno conforto.
— Obrigada.
Ela pegou a barra, recostou-se no banco e abriu a embalagem.
Henrique ligou o carro e saiu do condomínio, seguindo para a delegacia mais próxima.
Carolina colocou o chocolate amargo na boca. Ele derreteu quase de imediato, doce, até demais.
Mas, depois de comer, o estômago já não parecia tão vazio, e uma sensação de energia voltou ao corpo.
Na delegacia, os policiais puxaram as imagens das câmeras de segurança.
Mas, em nenhuma delas, apareceu alguém claramente a seguindo.
Também verificaram as gravações dos dias anteriores. Nem mesmo no trecho da rua que mais a assustava surgiu qualquer pessoa suspeita.
Havia apenas um registro feito durante o dia: no trajeto entre o condomínio e a estação de metrô, uma gari baixinha, de boné, caminhou perto dela por um trecho. Depois, parou diante de uma pilha de lixo e começou a varrer tudo para dentro do carrinho de coleta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...