Henrique levou a mão para trás, tentando soltar os braços dela.
Mas Carolina o abraçou com ainda mais força, num gesto desesperado, enterrando o rosto inteiro na curva do pescoço dele. As lágrimas molharam a gola da roupa, e sua voz saiu trêmula, suave, entrecortada:
— Eu não vou te deixar de novo.
— Carolina... Você nunca me diz a verdade inteira.
Os olhos de Henrique estavam vermelhos. Ele segurou o braço dela, mas não teve coragem de afastá-la de verdade.
Se quisesse mesmo tirá-la dali, seria fácil.
Ele era um homem adulto. Para empurrar Carolina, tão pequena e frágil, bastaria um movimento.
Mas, no fim, ele simplesmente não conseguia.
Amava aquela mulher demais.
E já não sabia mais o que fazer com ela.
Era amor, impotência, exaustão.
Ele estava cansado.
Cansado até de amar.
No instante em que soube que ela iria ao cartório com Cláudio para registrar o casamento, quase enlouqueceu.
Ele nem ousava imaginar o que teria acontecido se a certidão tivesse mesmo sido emitida.
Se não morresse, teria enlouquecido de vez.
Só depois do acidente percebeu que tinha colocado o amor acima de tudo, esquecendo-se de que a família ainda precisava dele... E de que o programa espacial também precisava dele.
Se pudesse passar a vida inteira ao lado da mulher que amava, então sua vida não teria deixado arrependimento algum.
Mas viver, no fim das contas, sempre significava carregar alguma falta.
E ele já tinha se resignado.
Não insistiria mais.
Carolina fungou baixinho. Quando voltou a falar, sua voz rouca carregava uma sinceridade grave, quase solene:
— Daqui pra frente, não importa quem tente me mandar embora... Eu não vou. Se você ainda me quiser, eu fico do seu lado. Sempre... Sempre. Mas, se você não me quiser mais, eu vou embora na mesma hora.
Ao ouvir aquilo, os olhos já avermelhados de Henrique se encheram ainda mais de lágrimas. As mãos dele foram descendo devagar.
— Eu não quero mais você.
No exato instante em que pronunciou essas palavras, uma lágrima escorreu lentamente do canto de seus olhos. Então ele os fechou depressa.
O corpo inteiro de Carolina endureceu.
Foi como se o céu desabasse de uma vez sobre sua cabeça.
Por um instante, ela não encontrou motivo algum para continuar ali.
Devia continuar insistindo, sem dignidade nenhuma?
Ou ir embora de uma vez, como ele queria?
As palavras de Enrico ecoaram em sua mente.
— Rick nunca desistiu de você. Mesmo sabendo que o caso do seu pai não tem provas suficientes para ser reaberto, ele ainda me pediu para investigar em segredo. Ele continua insistindo até hoje. Então por que você vai desistir tão fácil?
Dessa vez, nem a morte faria com que ela o soltasse.
No quarto escuro, tomado por uma penumbra densa, ela se endireitou e olhou para Henrique. Os traços dele eram profundos, bonitos, impecáveis de um jeito quase injusto.
De repente, apoiou as duas mãos na cama e, sem conseguir se conter, inclinou-se para a frente e roçou de leve os lábios nos dele.
Foi um beijo breve, suave como o toque de uma libélula sobre a água.
Henrique se sobressaltou com o beijo inesperado e estendeu a mão por reflexo, tentando segurá-la.
Mas Carolina foi mais rápida.
Ele agarrou o vazio.
Depois de roubar aquele beijo, ela apertou os lábios num sorriso satisfeito e saiu correndo, deixando Henrique para trás, deitado na cama, com o peito inquieto, suspenso numa perturbação difícil de explicar.
Sem paz.
Sem alívio.
Meia hora depois.
Carolina voltou ao quarto carregando a refeição que a cozinheira da casa havia preparado.
A essa altura, Henrique já estava de novo na cadeira de rodas, diante da escrivaninha, ocupado com o trabalho.
— Como foi que você conseguiu voltar pra cadeira de rodas? — Perguntou Carolina, colocando a bandeja sobre a mesa de apoio do quarto.
Henrique respondeu, distraído:
— Não foi difícil.
Carolina se lembrava bem de que, quando saíra do quarto, a cadeira de rodas estava longe da cama.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...